terça-feira, 30 de abril de 2013

Com você eu consigo voar. - Cap. 10

O resto da tarde foi bem normal, conversei com umas amigas por vídeo conferência, e com o meu pai também, e confesso que isso me deixou com um pouquinho de saudade até dos dias de briga do ano passado. Respirei fundo e bola pra frente, mudanças são coisas legais, por mais que às vezes não pareçam. De noitinha o Felipe passou lá em casa, ele disse que o pai dele tinha chegado, fiquei meio tensa por que ele me chamou pra conhecê-lo, mas, fui.
- Boa noite, senhor.
- Boa noite senhorita.  – E ele riu, o mesmo sorrisinho do Felipe, e fez com que ele me parecesse familiar.
- É um prazer te conhecer, Felipe fala bastante de você.
- Que mentira Ma, eu nunca falo dele.
- Então, como eu tava falando com o seu pai…
- Obrigada pela defesa Maria Alice. – O pai dele suspirou.
- Só Ma, por favor.
- Combinado, mas, só se você esquecer a parte do senhor ok?
- Fechou.
A mãe dele tinha pedido comida dessa vez, certeza, tava muito bom. Nós jantamos, assisti o pai do Fe dar uma surra nele no videogame e depois ele me deixou ganhar. Vou esfregar isso na cara do Felipe sim ou claro? Exatamente; claro que sim. Nós rimos bastante, tanto o Felipe quanto o pai dele eram gente boa e engraçados, o pai dele falou umas coisas em relação ao ele ter bom gosto e eu torci pra ele não achar que existia possibilidade de nós termos alguma ligação exceto as que acontecem pelo celular. O Fe foi me levar em casa e eu vi o pai dele espiando pela janela, que feio, porém, engraçado, parecia que ele era a garotinha. Ele pediu desculpa pelo constrangimento e eu disse que só precisava agradecer por que aquela noite tinha sido incrível. Lavei o rosto, deitei e dormi, o dia tinha sido cheio.
- Ma, acorda, ta chovendo e hoje a mãe do Felipe vai levar vocês dois na escola, corre!
- Ta mãe, já vai. – No mínimo a mãe dele ia levar a gente numa canoa né? Por que não tava chovendo, estava acontecendo um dilúvio e minha mãe tinha tentado ser básica. Me arrumei literalmente correndo, coloquei um casaco pesado e uma capa de chuva, e adivinhem? Eu tava gripada. Eu, no mínimo, ia socar a cara do Justin por aquele banho que ele me deu. Entrei correndo no carro e chegamos super rápido na escola, desci correndo por que se eu pegasse mais uma gota de chuva minha gripe não iria agradecer.
- Bom dia Justin, só queria agradecer pelo banho de ontem viu? Tem uma terra que não sai do meu uniforme e eu to gripada.
- Eu te falei pra fechar a janela do banheiro Ma, tomar banho quente com a janela aberta não faz bem. E quanto a terra, eu te disse pra não tirar a roupa no jardim, pra deixar o uniforme pelo menos na sala, por que no jardim ia sujar, mas, você não me ouviu né…
- Você ta possuído?
- Vai dizer que você se esqueceu do nosso banho?
- Vai se foder. Espero que alguém te atropele, ou que batam no seu carro, e que você morra de pneumonia.
- Também adoro você, amor. – Ri um sorriso que mandava ele ir pra merda e sai andando, babaca, ele sabia que eu tinha falado do banho que ele me deu com o carro, mas, confesso que a piada foi bem pensada. Não tinha ninguém por perto pra ouvir, foi uma piadinha bem interna, mas foi ridículo.
- Bom dia nova preferida do meu pai!
- Bom dia ciúme.
- Não é ciúmes, mas, ele falou com você mais vezes do que falou comigo em uma vida toda…
- Também, tu é um porre.
- Cala a boca! Ma, adivinha?
- Eu não.
- Tosca! Então. Vai ter um acampamento do pessoal da minha família, vai ser nesse feriado agora, durante uma semana, eu vou ter que ir, quer ir comigo?
- Não, apesar de que eu sei que vai ser super legal, eu não posso. Não quero deixar minha mãe sozinha e tal.
- Tudo bem, mas, se prepara pra ficar uma semana sem mim.
- Nossa, vai ser realmente tão difícil, nem sei como sobrevivi até hoje…
- RA RA RA. Eu sei que você vai sentir saudade.
- Talvez. – Ele riu e a gente fez um teste que o professor tinha passado, uns deveres, conversamos mais um pouco, e hoje, finalmente, o dia tinha passado bem rápido. Na hora de ir embora nós fomos, e como o feriado iria emendar, eu não tinha mais aula essa semana. Adivinha quem estou mais do que feliz? Pois é. Ajudei Felipe a arrumar a mochila que ele ia levar pra viagenzinha dele e ele me ajudou a lavar a louça, nada mais justo. Ele foi com os pais dele e eu fiquei, seria deprimente se eu não tivesse uma lista de filmes e lugares pra ir. Fui no centro da cidade, num restaurante que tinha todo tipo de comida de todos os lugares do mundo, achei bem interessante e entrei, parecia um shopping de tão grande. Fui na parte japonesa, confesso que não resisto, mas, me arrependi.
- Pelo visto quem ta me seguindo é você né Ma?
- Sem sonhar, Justin
- Senta ai, você não vai achar muito lugar pra sentar.
- Eu não, você é muito letal. Em menos de um mês já consegui uma gripe e um uniforme manchado graças a você, Deus que me livre de mais um dano. – tive que rir.
- Prometo não te machucar.
- Vou acreditar só por que não tem mais lugar mesmo pra sentar.
- E eu vou acreditar só por que discutir com você me da preguiça.
- Blablabla, em fim, quero um hot Filadélfia.
- Então pede.
- Que babaca você.
- Que mimada você.
- Oi, moço, você pode me trazer uma porção de hot Filadélfia?
- Claro, algo mais?
- Traz um suco de maracujá pra ela também, pra ver se essa raivinha some.
- Traz uma faca pra gente ver se o Justin some também ta?
-  Mais alguma coisa senhores? – A gente riu, tadinho do garçom.
- Só isso. – Falamos ao mesmo tempo.
Nós comemos, brigamos, bebemos, brigamos, brigamos, brigamos, rimos, brigamos e ele me levou em casa.
- Obrigada por hoje, acho que eu não ria tanto assim desde quando me mudei.
- Obrigada também, só não se apaixona ta?
- Vou me esforçar bastante, obrigada pela dica.
- Sério?
- Claro que não – ri descontroladamente – não me apaixono, muito menos por pessoas que nem você. Desculpa te decepcionar.
- Combinado então, só amigos, sem mais.
- Colegas, ainda não me convenci de que te quero como amigo.
- Como você quiser, daqui a pouco você não vai viver sem mim.
- Só quando você se chamar oxigênio meu bem.
- Se cuida mal criada.
- Eu sempre me cuido, iludido.
Achei que a noite sem o Fe seria uma merda, confesso, mas, mais uma vez, fui surpreendida. Além de mudanças, há surpresas que vem pro bem também, assim eu espero.


#IFMDID - Cp. 2


Chegando no aeroporto eu vi a Roberta a mulher que iria nos levar para Disney, ela estava nos entregando as camisas que serviram como uniforme. Despedi do meus pais e do meu irmão que na verdade estava mto mal porque a Mariana estava ali, e vocês sabem o porque... Entramos para a sala de embarque e ficamos ali todos conversando e simplismente eu reparei que a Camila estava com um olhar muito tenebroso para a Mariana e eu já não estava mais aguentando isso, até que chamou o nosso voo e dei glória, entramos e no sentamos foi eu e a Camila, a Duda com o Carlos que é um dos trigêmios. Vou contar uma coisa para vocês a Duda gosta dele e ele dela só que tipo acho que eles ainda não descobriram isso, e se alguém pergunta para ela sobre como esta indo os dois ou se eles tem algo ela chinga demais, então se algum dia você a encontrar não toque no assunto. hehe'
Eu e a Camila ficamos ali conversando.
[...]
Chegamos em Belo Horizonte 10 horas da manhã, nós vamos comer algo no aeroporto e esperar o nosso avião para o Rio de Janeiro. Ficamos ali conversando até que vi os Trigêmios vindo até nós e eu amo o Dudu ele é loirinho, dos olhos claros meio cor de mel e magro alto e da nossa idade.
-Oi meninas. - disse o Joao
-Oi
-Então podemos nos sentar?(João)
-Claro - eu disse me arredando para que desse espaço para que eles puxassem as cadeiras.
-Bom o que vocês esperam dessa viagem?? (Dudu)
-Esquecer os problemas e divertir demais. (Camila)
-Quais seria os problemas? (João)
-Não é nada, são problemas normais. - eu disse balançando a cabeça para ele, como se fosse para ele ficar quieto.
Se passou 1 hora... Até que chamara nosso voo para o RJ, nós embarcamos. Dessa vez vamos nós três juntas no avião os Tri atrás de nós, o avião decolou e nós ficamos coversando e brincando muito seria somente 2 horas de viagem. Chegamos, agora iremo pegar um avião ate Miame...
[...]
Depois de chegarmos em Miame, pegamos um onibus e fomos para Orlando e ficamos em um hotel em dentro da Universal. LINDO!!!! No quarto ficou eu, Duda, Camila e Jhennifer uma menina mais nova do que nós mais gente boa, pelo menos isso. Fomos para o quarto, nem desfizemos nossas malas e já fomos dar uma andada pelo hotel, fomos descobrir em que andar os meninos estavam mais a Roberta nem os Guias podiam saber que estavamos no andar dos meninos, mais agora é saber o andar dos meninos. Fomos até a recepção:

-Oi nós queriamos saber qual o andar dos meninos é porque a o Igor (um dos Guias) pediu para que entregassemos uma blusa do turismo para um deles. - eu disse
-Claro
-No 4° andar - nossa foi mais fácil que eu pensava

Fomos até lá, agora qual será o quarto? Passamos por todas as portas tentando escutar algo para ver se reconheciamos a voz de alguém, até que escutamos "Aí Caralho para com isso" ta esse foi o Carlos e daí escutei uma frenetica risada que realmente era do Eduardo, batemos na porta:
-Ahhh  que vocês fazem aki?? (Carlos) estava só de cueca
-Shiiiu - fui epurrando a porta e entrando, não estava nem ai
-Sério, o que vocês estão fazendo??
-A porra do Eduardo jogou água em mim em quanto eu tirava uma soneca. - (João)
-Haa pensei que estivsse molhado porque estava batendo uma punheta legal ai.-disse eu zuando da cara dele
-kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk - riu o Carlos e o Dudu
-ha ha ha você é muito engraçada
-Eu sei

Continua

Eu sei que esse capítulo ficou a verdadeira bosta mais é porque estou sem tempo, prvas, trabalhos, treinando mtuio para a natação (é eu fasso parte da equipe de competição da minha cidade)  e talls mais espero que me perdoem....
Ana Laura aki.... s2s2s2s2

 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Com você eu consigo voar. - Cap. 9

Eu já não sabia que dia era, só consigo saber o dia do mês e o da semana no início do ano, depois só lembro vagamente dos horários e olhe lá. Tava chovendo bem forte do lado de fora da escola, o Felipe disse que hoje eram dois horários seguidos de história e que nós iríamos pro auditório ver filme com a professora Janne, uma baixinha fofinha que fazia a sociedade grega ser menos chata. Nós fomos pra uma sala enorme, com um ar condicionado pronto pra me matar congelada e com um puta telão pra assistir Tróia. To tão animada que vou até dormir os dois horários, só pra não perder a fama. Acho que tinha umas trinta turmas de ensino médio lá, uma bosta, todas as panelinhas se formaram e sobraram três lugares. Claro que a Maria Alice tinha que ficar sentada entre o Justin e Felipe, por que ela foi a menina que descarregou um caminhão de pedras na cruz.
- Você se importa que eu sente aqui? Por que se for pra tu ficar com essa cara de cu eu sente no chão. – Suave como um ralador de queijo, Justin e seu jeito babaca que te faz ceder sem que você perceba.
- Eu nem vi que você tava ai e obrigada pela "cara de cu", mas, infelizmente não era por você… Não sou muito fã de ar condicionado mesmo.
- Ah, de qualquer forma, não quero incomodar.
- Você não incomoda e nem desincomoda, tanto faz, só faz silêncio pra eu dormir.
- Desincomoda?
- Daí você diz silêncio e o seu coleguinha ouve "puxa assunto comigo", tchau.
- Ma, má.
- Cheguei!
- Oi Fedredor
- Eu não perdi, e detestei esse apelido.
- Problema seu né, agora me da esse casaco e me empresta seu ombro. –  Encostei a cabeça no obro dele, tentei encolher minhas pernas ao máximo pra não encostar no encosto que tava na ponta do banco, mas, ele foi um tanto quanto convidativo. Jogou algum pano, que eu suspeito ser um casaco, muito fofinho sobre a minha perna, e eu ia olhar, ou tirar de mim, mas, foi inevitável não me sentir bem. Frio com cobertinhas é tipo sábado de manhã, não consigo resistir. Acordei em umas três partes do filme, porém, ficar deitada tava mais interessante. Tentei escutar o que o Felipe e o Justin estavam cochichando, mas, não consegui. Eu ia perguntar depois o que era, mas, fiquei com medo de ter sido sonho, pois é, o sono tava pesado mesmo. Quando o filme acabou eles ligaram a luz e eu me senti um vampiro exposto ao sol, não, eu não brilhei, ardeu mesmo. Fui pra sala em seguida, era aula de educação física, que sonho. Sentei na arquibancada e fiquei procurando um motivo pra ter um bando de homens correndo atrás de um bola e umas meninas por perto fazendo cara de comercial de cerveja, de qualquer jeito, ignorei. Fiquei ouvindo música, contando quantas bolinhas tinham na quadra, pensando na morte da bezerra, sei lá, qualquer coisa até que aula acabasse. Pra minha sorte, acabou, porém, ainda tinham mais umas. Eu e o Fe discutimos uns assuntos super importantes, tipo o crescimento do meu cabelo e a barba dele. Na hora da saída ele disse que precisava resolver umas coisas e que me encontrava de noite, ótimo, fui andando sozinha no maior temporal.
- Ma, você vai pra casa andando nessa chuva?
- Não, vou esperar a próxima.
- Porra guria, to tentando ser educado.
- Desculpa, eu nem consigo tentar essas coisas. – Ri um riso filho da puta, ele sabia que eu era assim, não entendi a sensibilidade.
- Ridícula. – Ele riu.
- Aham, ta, to indo viu? Tchau. – Fui andando até que um mal comido passou com a carro e me deu um banho, eu ficaria tranquila se fosse qualquer mal comido, mas, era o babaca do Justin
- EU VOU MATAR VOCÊ!
- Só se for de amor né.
- Filho da puta! Sai daqui.
- Entra logo nesse carro, você ta ensopada e agora ta suja, você vai pegar uma pneumonia.
- Azar o meu né. – Então ele desceu do carro e veio andando na minha direção.
- O que tu ta fazendo?
- Se você quer ficar doente, também vou ficar, até sua birra passar.
- Burro, tu vai deixar o carro parado no meio da rua nessa chuva?
- Não, vou esperar a próxima também pra deixar.
- RA RA RA, por que você não coloca uma melancia na cabeça e fala que é a Carmen Miranda?  Vai ser bem mais engraçado do que essas piadinhas.
- Ma, pela milésima vez, acho que a gente começou errado.
- Exatamente! É por que a gente não devia ter começado. Você me deixa na defensiva, e desconfortável, para com essa mania de ficar me seguindo.
- Justin. –Ele estendeu a mão num ato insistente de se reapresentar, e fez cara feia e dura, tipo de criança fingindo que é do mal.
- Maria Alice, e você não pode mais me chamar de Ma, por que Ma é pros íntimos e não quero intimidade com você.
- Posso te levar em casa? Ou você prefere que nós dois fiquemos doentes e que um carro bata no meu e cause um acidente só por que você é orgulhosa?
- Chantagista. Espero que você saiba que é só pelo acidente, por que você ficar doente é puro merecimento.
- Como você quiser Maria Alice.
- Ta, pode chamar de Ma, o nome Maria parece uma briga.
- Então você desistiu de brigar?
- É só uma trégua por que você é um babaca que estaciona o carro no meio da rua e eu não quero sentir remorso. – Fui em direção ao carro, ele tentou abrir a porta pra mim, mas, aquilo não precisava ser mais ridículo do que já era, o empurrei e abri o carro sozinha. Liguei o som e eu bem que queria mudar a rádio, mas, ele tava ouvindo missy higgins, e fazia séculos que eu não escutava aquela música. Where I stood, boa. Comecei a cantar baixinho e ele ficou batendo o dedo no volante no ritmo da música, então eu tive que perguntar.
- Você gosta desse tipo de música?
- Não, é, que, é, ah, você sabe, a voz não é tão ruim, e a melodia também não, mas, esse cd nem é meu, é, pois é. – Ta, o cd era dele e ele gostava, eu ri pra ele perceber que eu tava rindo e ele ficou sem graça… Seria bonitinho, mas, vindo dele, era ridículo.
- Chegamos. – Ele me olhou com uma cara suave.
- Vai querer me levar na porta também?
- Eu não, ta frio pra caralho e o céu ta caindo, tenho certeza que você pode nadar até a porta, qualquer coisa se prende na nossa, quer dizer, sua árvore e espera seu namorado chegar.
- Essa árvore é só minha.
- A provocação era em relação ao namorado… Contigo é tudo ao contrário mesmo né?
- Todo mundo sabe que ele não é meu namorado, se você quer chamar ele assim, foda-se, quando tu pagar minhas contas a gente conversa sobre a minha prestação de detalhes da vida pessoal.
- Ui, sem ficar bravinha.
- Obrigada pela carona ok? Minha árvore, sem namorados e para de me olhar com essa cara.
- Que cara?
- A cara de “você fica linda brigando”
- Mas você fica horrível, enfim, tchau Ma. – Ele riu como se tivesse graça, babaca, o pior é que tinha. Sai do carro e bati a porta o mais forte que eu pude, foi um bom troco.
- PORRA, TU NÃO TEM GELADEIRA EM CASA NÃO? – Ele gritou pelo vidro da janela. Mandei um beijo e ele me deu dedo, o dia já tinha valido só por eu ter visto aquela cara de “vou te matar” dele. Entrei, me torci na varanda, andei pela sala e fui tirando a roupa, subi correndo pro quarto e tomei um banho bem quentinho, nada melhor do que não fazer nada, exceto quando sua cabeça quer pensar e pensar. 


domingo, 28 de abril de 2013

Com você eu consigo voar - Cap. 8

Acordei por livre e espontânea pressão, minha mãe começou a gritar por que já eram 7 horas, não entendi por que ela achou que eu ficaria preocupada. Pelo visto o Felipe também tinha acordado atrasado, por que assim que eu levantei e olhei pela janela ele tava correndo de um lado pro outro pra se arrumar. O lado bom de não ter privacidade é exatamente isso, não ter privacidade. Tomei um banho bem rapidinho e coloquei meu uniforme que só não era mais feio por que não tinha uma foto do meu professor de física estampado na blusa. Quando eu desci o Fe já tava comendo meu cereal, ótimo. Fomos pra escola, conversamos sobre os meninos estranhos, sobre como seria o dia, ele disse que teria aula à tarde, e eu perguntei se podia assistir ele jogando, só pra ver como era. As aulas passaram voando, por incrível que pareça. Quando eu fui guardar umas coisas no meu armário da escola, caíram uns vinte bilhetinhos, sem exagero, com uns números que eu nunca vi e uns recadinhos do tipo "call me maybe". Senti muito pelas árvores que morreram e tiveram que ir para o lixo por aqueles papeis. Almocei na lanchonete da esquina, eu e o Felipe dividimos uma macarronada, ele pediu outra só pra ele por que é gordo de espírito e a gente foi pra área verde da escola.
- A gente pode ficar embaixo dessa árvore?
- Você pode ficar aonde você quiser, eu vou pro vestiário me trocar por que daqui a pouco tem jogo.
- Isso são modos de falar comigo?
- Ta tristinha? Se consola com seus namoradinhos… – E ele deu uma risada que, pela primeira vez, me deu vontade de arrancar dente por dente daquela boca inútil.
- Ta com ciúmes? – Eu ri como se não houvesse amanhã. Ele me empurrou e me segurou com o outro braço, me chamou de qualquer coisa e foi me levando pro ginásio com ele. Quando a gente entrou me senti o super choque entrando em ação, todo mundo me olhou, segurei na mão do Felipe como uma espécie de proteção, mas, logo soltei, era estranho. Umas pessoas ficaram acenando, olhei umas cem vezes pra ver se não tinha alguém atrás da gente.
- Fe, você ganhou na loteria?
- Você é a nova escolhida.
- Como assim?
- A queridinha e lindinha da escola.
- Só que não né, é por isso aqueles bilhetes no meu armário? E esses meninos me chamando pra sair?
- Exatamente novata gost… – Interrompi ele com um soco na cara, carinhosa como sempre, eu já havia avisado.
- AI Ma!
- Avisei querido.
- Torce por mim ta? – E ele saiu correndo que nem uma criança numa loja de doce, feliz e babaca. Ele corria que nem uma anta, mas, era engraçadinho. Ele caiu umas mil vezes, umas sem querer e outras de propósito, acontece. Ele fez um gol e disse que foi pra mim, mas, tinha umas mil meninas atrás de mim gritando o nome dele… Modéstia a parte ele é bom, porém, futebol pra mim e nada tem o mesmo significado. Quando o jogo acabou ele veio me abraçar todo suado, menino nojento! Esperei durante umas duas horas ele tomar banho e sair do vestiário, sim, o Felipe tem um lado meio boiola. Quando ele saiu tava com uma cara meio puta, disse que precisava me falar uma coisa, mas, depois disse pra eu esquecer por que ele ia resolver e blablabla, eu não queria mesmo saber. A gente passou numa lojinha de doces que tinha uma senhorinha super agradável, comemos uns bolinhos de caneca e fomos pra casa dele jogar. Depois que ele me deixou ganhar umas partidas e eu disse que o mérito era todo meu a gente foi pra casa jantar, depois ele foi embora e eu liguei pra Mari. A gente conversou sobre como tava tudo lá e aqui, ela me disse que tava pensando em passar umas semanas comigo, achei ótimo, eu precisava. Ela ficou dois dias falando sobre os meus convites pra sair e sobre os bilhetinhos, eu ri por que a Mari sempre melhorava tudo. A semana foi um saco, as aulas chatas, os dias parados, uns bilhetes no meu caderno, bolinha de papel na minha cabeça, gente que eu nem conhecia falando comigo. Minha preocupação era tão grande que eu fui plantar uma árvore no jardim de casa, lá tinha um aspecto meio morto.
- Quer ajuda?
- Oi, é, o que tu ta fazendo aqui?
- Eu preciso passar por aqui pra ir pra casa, eu sei que você ta me evitando e não te culpo por isso, o sinônimo de Justin é babaca, mas, você ta fazendo isso errado… – Ele desceu do carro, me viu com aquela jardineira horrorosa, com o cabelo todo bagunçado, toda suja de terra e riu. Ele arrumou meu cabelo atrás da orelha, pegou a tesourinha que tava na minha mão e disse que pra abrir o buraco na terra usava outra coisa que eu não entendi. Eu tava mesmo brava com ele, mas, não pareceu ter tanta importância ali, naquela hora. Ele plantou a minha árvore, e foi tudo tão fácil e simples como respirar, parece que só aconteceu. Ele foi embora, eu fui fazer minhas coisas, deitei e a rotina terminou nessa parte. Eu não consegui dormir. Minha mãe passou pelo meu quarto, disse que era coisa de menina apaixonada, Deus que me livre de uma coisa dessas acontecer. Eu sempre fui meio alérgica a gostar de alguém, sempre me deixa doente, sem fome, chorando e de cama. Tento evitar. Tomei um chá bem quente às 1:30, às 4:00 eu já havia desistido de dormir, tomei um banho e fiz o café, um tempo depois o Felipe chegou e mais um dia ia começar, e era estranho saber que ele ia começar diferente de ontem, por que assim que eu cheguei na escola meus olhos começaram a procurar, por mais que eu soubesse que não havia nada pra ser encontrado ali. Eu não queria achar, pelo contrário, eu queria fugir. Alguns chamam de covarde, eu me chamo de esperta, melhor prevenir do que remediar.

sábado, 27 de abril de 2013

Com você eu consigo voar - Cap. 7

Cansei de correr, de andar, de respirar e não encontrar o ar. Porra, se fosse um estuprador, já era, eu ia fazer ele ficar com medo de mim. Se fosse um louco, ótimo, seríamos dois, por que eu ia pagar a maluca que fala uma língua inexistente. Foda-se, eu tava cansada de verdade, Deus ia me ajudar, ele tinha que me ajudar. Segurei um spray de pimenta imaginário, peguei meu último fôlego e me virei. Depois que vi que merda era aquela atrás de mim parecendo um cachorro sem dono, me arrependi de ter virado. Aquele menino, de certo, não era normal. Pra mim a pessoa pode ser tudo; magra, gorda, feia, linda, inteligente, burra, meu irmão, mas, porra, gente bipolar me fode do avesso. O Justin tinha um problema sério, e onde eu moro esse problema se chama "ele não caga e nem sai da moita". Uma hora ele é doce, outra hora é tipo aquelas gomas de mascar que você come e se pergunta por que o nome daquilo é chiclete e não limão estragado.
- Porra cara, por que tu ta correndo atrás de mim que nem uma mula? Qual é a sua? Eu podia ter tido um ataque cardíaco aqui.
- Eu precisava te falar uma coisa…
- Nossa, tenta falar em sinais, por favor, por que esse seu bafo de gente bêbada ta acabando comigo.
Daí ele fez um coração com a mão, tentei responder sutilmente e com um sinal também… Dei dedo.
- Sempre má. – Ele afirmou.
- Sempre.
- Eu só queria dizer que você tava linda, aliás, que você é linda. Eu não sou bom com isso, na verdade, sou ótimo, mas, não assim. Sou bom enquanto eu to bebendo, depois que eu já perdi o controle, prefiro ficar calado a falar e me comprometer.
- Obrigada, mas, isso é tão inapropri… SAI! – Ele tentou me beijar?! Qual é a desse menino? Ele acha que eu sou tipo as amiguinhas dele que ele ri e consegue o que quer? Ele ia ter que nascer de novo três vezes pra ouvir, pelo menos, a minha voz dirigida a ele de novo. Babaca, mil vezes babaca, que nojo aquele cheiro, aquele sinônimo de abraço, aquele olhar e aquelas covinhas. Que merda de menino.
- Desculpa, Ma.
- Me solta, e para de correr atrás de mim, em todos os sentidos. Volta pras pessoas que gostam de você assim, quando você já passou de idiota pra deplorável.
- Acho que ninguém gosta – Ele riu, mas, não tinha graça.
- Que pena pra você né? Se cuida ai, e tenta andar na parte verde da rua, a parte que algumas pessoas chamam de grama, não quero que digam que você morreu atropelado por que eu não pude te ajudar.
- Mas você pode!
- Ou não, né. Nem sei por que ainda to aqui, de verdade, licença. – Eu tinha mesmo pedido licença pra ele? Qual o meu problema? Aquilo era a terceira guerra mundial, ele tinha tentado me agarrar a força, como se eu quisesse beijar aquele lixo que ele chama de boca. Que merda de noite. Eu sai e ele meio que veio atrás de mim, mas, era o único caminho pra casa dele. Ele tropeçou algumas vezes e a minha raiva de menina estressada virou compaixão, o que na minha língua significa pena. Eu fui pra perto dele, apoiei o braço dele no meu ombro, a gente andou cambaleando até a um orelhão e eu chamei um táxi. Dei o endereço da casa dele pro taxista e fui pra casa. Tomei um banho rápido, acho que toda a minha paciência da vida havia sido gasta em quinze minutos, deitei e dormi. Minha mãe me acordou cedo no outro dia, ela queria ir num restaurante, tudo bem, domingos são uma merda mesmo. Vi um cachorrinho bem fofo na rua, me lembrou do meu primeiro filhote de huski, vi uns casaisinhos também, vi uns velhinhos na praça e eles me lembraram meus avós. Até que não era uma cidade tão diferente assim da minha, tudo me lembrava de alguma coisa que eu já tinha visto, vivido ou só presenciado. Tava me habituando. A gente comeu comida japonesa, a melhor, confesso, e depois fomos pra casa. Fiz umas lições, atendi uma das trezentas ligações do Felipe, ele me pediu mil desculpas, me pediu sei lá mais o que, disse que ele era babaca e que eu era o amor da vida dele, disse mais mil blabablas que não me interessavam e a gente ficou numa boa. Me preparei pra dormir, segundas feiras nunca eram convidativamente boas. Orei, expliquei pra Deus que meu lugar não era ali, mas, acho que Ele tinha feito um voto de silêncio, nenhum sinalzinho de que as coisas iam melhorar. Ok, eu entendo, não estou sendo a melhor pessoa do mundo também. Mudanças sempre acontecem, essa é só mais uma de muitas que virão. Dei boa noite pro teto, por que minha mãe tava trabalhando, só pra variar, e fui dormir.
- Filha, o Felipe já chegou. – Ele parecia aqueles caras de condução escolar, nunca errava o endereço e nem o horário, incrível!
- Já to indo.
- Pode demorar Ma, não quero mesmo dividir o café da manhã que sua mãe fez pro futuro namorado dela. – Desci a escada correndo, que porra de história era aquela?
- Posso saber quem é esse?
- Eu, lógico. – Toda vontade que eu tinha de arrastar a cara do Felipe no asfalto sumia quando eu escutava a gargalhada dele. Parecia que nada seria tão ruim, por que, no final das contas, ele estaria aqui. Isso é gay e ridículo, mas, é verdade. Ele é o meu ponto de conforto, apesar de ser totalmente desconfortável.
- Que nojo de você. Go go filhinho, não quero chegar atrasada, espero que tu lembre de quem é o primeiro horário.
- Já sei Ma, já sei.
A gente saiu comendo e cantando, bem típico isso. Eu tava morrendo de sono, mas, tudo bem, não importava muito, eu teria longas e lindas aulas pra dormir. O dia tava meio inexpressivo, mas, fazia um frio gostoso de sentir. A aula passou bem rápido até, algumas pessoas na sala ficaram me encarando e rindo como se eu tivesse cagada. Com a parte de que ali só tinha gente estranha eu já tinha me adaptado. Na hora do intervalo um grupinho de garotos ficou me olhando, rindo e se empurrando na minha direção… Eu deveria ter entendido? Por que se eu deveria, me desculpem, não entendi.
- Oi Maria, tudo bem?
- Ma, por favor.
- Desculpa… – E o menino riu todo timidozinho, coitado, às vezes me arrependo de ser babaca, ou não.
- Eu to bem, e você…?
- Rafael, meu nome é Rafael.
- Ah, prazer.
- To bem, então… O que você vai fazer na sexta?
- Acho que comprar umas coisas que ainda estão faltando, por quê?
- Eu tava pensando, assim, se a gente meio que podia, é, talvez se você, é, assim, quiser, a gente meio que podia sair. – Eu ri internamente, por que rir na cara dele era sacanagem. Ele tava mesmo me chamando pra sair? E o pior, ele tava me chamando pra sair e tava nervoso com isso? E por que aqueles meninos riam tanto?
- Desculpa, mas, essa semana vai ser bem corrida pra mim, se você não se importar de ser outro dia, a gente pode sair sim. Mas obrigada pelo convite, você é um amor. – Eu sendo fofa era algo de se guardar, por que geralmente não acontecia. Mas, senti que aquilo ali pra ele tinha sido tão duro quanto cantar na frente dos outros é pra mim, eu precisava tornar aquela situação menos embaraçosa. Dois meninos fizeram a mesma coisa que ele, e eu confesso que achei isso muito, mas muito estranho mesmo, mas, tentei ser educada com eles também. Perguntei pro Felipe se aquilo era normal, ele fez uma cara meio brava, disse pra eu ignorar e a gente foi pra casa. Mais um dia vencido, eu tava mesmo ficando boa naquilo. 

Com você eu consigo voar. - Cap. 6

Sábado de manhã é o dia sagrado da soneca, mas, no mínimo contaram isso pro Felipe, e eu acordei com uma mensagem dele falando "não se esquece de hoje à noite"… Era pra eu entender? Ignorei e voltei a dormir, mas, era o Pedro, ele mandou mais trinta mensagens e depois me ligou.
- ATENDE GURIA!
- Oi.
- Te acordei?
- Não, sábado sete horas da manhã eu costumo a pescar.
- Sério?
- Não, tu me acordou, tchau.
- Pera, não esquece hoje à noite, a festa.
- Que festa meu filho?
- A do Justin.
- Eu não vou.
- Claro que vai Ma, todo mundo vai, e vai ser bom pra você conhecer o pessoal legal aqui da cidade, vai bastante gente da faculdade, até te apresento minha ex, vocês vão se dar bem.
- Em que nível de carência você acha que eu to pra querer ser amiga da sua ex?
- Anda Ma, você vai e eu vou te buscar 20:00 horas.
- De bicicleta? Que mané me buscar!
- Final de semana o carro é meu, anda e não enche o saco, a casa dele é pertinho daqui, uma grandona que tem no final da rua. E as festas dele são sempre as mais legais. Por favor Mazinha lindinha.
- Só se você prometer nunca mais me chamar disso, que nojo.
- Prometo.
- Gay.
- Gata.
- Me erra, tchau, e nunca mais em acorda.
- Combinado.
Desliguei, ninguém era mais chato que o Felipe, nem meus três irmãos juntos com um toque especial da minha mãe. O dia passou voando e contra a minha vontade, é claro, me arrumei pra tal festa. Lembro que a Mari gostava bastante dessa roupa que eu tinha escolhido pra usar, segundo ela era um vestido sensual pra matar, eu nunca entendi, mas, beleza. O Felipe chegou, não entendi por que ele tava me olhando com aquela cara de criança que vai pra Disney, mas, ele era demente mesmo, não me preocupei. Peguei minha bolsa, entrei no carro e quando a gente chegou à casa do Justin percebi que era a casa que eu havia visto antes. Respirei fundo três vezes, tava lotado, desci do carro e fiquei surpresa. De fato não era uma festa qualquer, a música era boa, tinha gente que, aparentemente, valia a pena conhecer. A casa, por fora, tinha um jardim bem bonito e iluminado. Quando a gente entrou tinha uns bêbados na sala, um pessoal no sofá, mas, a maioria tava dançando. Varri aquele espaço com os olhos, não sou muito de festas, sei lá, as pessoas se arrumam pra beber e vomitar… Não faz muito sentido. Mas eu gostei, gostei por que, eu precisava rir, mesmo que fosse dos outros. Umas meninas me olharam com cara feia, um grupo bem grandes de meninos ficou me olhando com aquela cara de "você é de comer?" e eu fiquei completamente desconfortável, mas, o Fe riu tanto de tudo que faz parecer comum. O Justin tava naquele grupo, alguns guris da sala também, algumas pessoas que eu conhecia de vista, uma imitação do Justin com 21 anos que provavelmente era o irmão dele, a menina com cara de poste que provavelmente era a namorada do Justin, se é que menino que nem ele namora. E, finalmente, um rosto tão perdido quanto o meu, o do Felipe me procurando. Ele tinha trago algo pra eu beber, mas, eu não bebo, então fiquei a festa toda segurando um copo, bem minha cara. Alguns meninos vieram falar comigo, uns pediram meu número, foi bem engraçado. Depois que eu parei de olhar para aquela rodinha e fui dançar, o Justin chegou perto de mim, tentou meio que "dançar comigo", só que aquilo ficava mais estranho a cada segundo que acontecia. Eu disse que precisava tomar um ar e fui lá pra fora, escutei uns amigos dele falando qualquer coisa e rindo, mas, não era da minha conta. O Felipe já tinha sumido de novo, mas que merda, eu queria ir pra casa. A festa tava boa, a comida e bebida estavam ótimas, porém, meu sofá sempre foi o melhor lugar do mundo. Quando eu decidi ir embora andando e sozinha o Fe apareceu, nossa ligação mental é bem forte, quando eu quero muito mandar ele ir pra merda ele aparece pra eu realizar o meu desejo, bem coisa de filme mesmo.
- "Novata gostosa" – Ele fez as aspas com as mãos.
- Que isso?
- É como tão te chamando lá dentro.
- Por quê?
- Ouvi uns meninos falando “nossa essa novata é muito gostosa, pegava fácil”…
- Falando desse jeito a única coisa que ele ia pegar de mim era o meu nojo por ele, que merda. – Eu ri por que eu precisava rir daquilo, me senti cercada de animais.
- Pois é novata gostosa, entra ai no meu possante que hoje a noite vai ser quente.
- Quente vai ser eu te atropelando com esse carro, fofinho. – O Felipe ficou rindo, me olhando, parado que nem uma anta esperando sei lá o que. Eu já tava sem paciência e, sei lá por que, não sei receber elogios. Depois de ter ficado vermelha e desconcertada, fui andando. O Felipe tentou me fazer entrar no carro, mas, fiz birra mesmo, foda-se. Chegamos em casa juntos por que ele ficou andando a um por hora, babaca ele, entrei e troquei de roupa. Minha mãe não tinha chegado, não me atendia, bem normal. Coloquei um moletom e fui correr, pra onde eu não sei, mas, não importa tanto assim também, eu sempre corro pra fugir do mundo. Corri pra longe daquela festa, eu não gostei do jeito que aquelas pessoas ficavam me olhando, sei lá, me senti um alimento novo no mercado. E, além do mais, meu pulmão tinha fumado muito sem querer. Acho que nunca inalei tanta fumaça numa festa. Corri até perder as forças, por que o fôlego eu perdi quando vi alguém correndo atrás de mim. Que merda essa cidade, mania escrota de ficar correndo atrás dos outros, mas, eu sabia que não era o Felipe, não tinha cheiro de Felipe. E o que me irritou? Ele não me cutucou e nem me gritou, só me seguiu, como se fosse um maníaco, ou só um desocupado mesmo. 


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Com você eu consigo voar. - Cap. 5


Cheguei em casa e, em questão de minutos, já estava pronta pra dormir. As casas aqui eram estilo americanas; tem uma janela que te da acesso ao telhado, o telhado é virado pra casa do vizinho, não tem muros nesse condomínio, então fica tudo bem aberto e sem privacidade. Sentei no meu telhado, peguei meu violão e tentei tocar alguma coisa, faço isso quando to meio confusa, ou sem nada pra fazer. Comecei a tocar uma música que eu tinha feito a um tempo, essas músicas que são mais sonhadoras que a gente mesmo. Eu cantei como se houvesse uma multidão lá em baixo, até que uma voz que eu não queria ouvir me interrompeu.
- Tu canta bem guria.
- Felipe, eu vou começar a achar que você ta apaixonado, falando sério mesmo.
- Que mal agradecida! Eu podia te tacar um balde de água por você ter me acordado com essa barulheira.
- Ou podia ter voltado a dormir.
- Gostei desse refrão, "entre nós dois, aah".
- Nossa, você canta tão bem que já pode parar.
- Invejosa.
- Eu vou entrar, preciso dormir, a semana mal começou e eu já to sofrendo por que sexta nunca chega.
- Vê se acorda cedo amanhã, você demora demais.
- Vai cagar.
- Ta bom, eu vou, mas, acorda cedo ok? Sonha comigo.
- Eu não.
- Eu sei que você vai sonhar.
- Beleza. Dorme com Deus!
- Tu também, guria.
Que mania feia de chamar os outros de guria, na verdade, os outros não, eu. Mas, eu gostava do Felipe. Eu não sei por que, mas, era sempre muito bom ter ele por perto, parecia que a gente já se conhecia a bastante tempo, ele me entendia sem que eu precisasse me explicar demais. Tudo entre nós dois caía como uma luva, Maria Alice e Felipe, uma amizade entre menino e menina sem complicação, as câmeras já podem aparecer né? Por que deve ser pegadinha. Enfim, não vou zombar da sorte, finalmente ficamos amigas. As coisas estão dando certo, isso me conforta, por que eu preciso dizer, já to cansada de mudanças.
- Boa noite filha.
- Boa noite mãe.
Ela sempre ia ao meu quarto desejar uma boa noite, me abençoar, dar aqueles beijinhos de mãe e me cobrir. Às vezes ela deitava comigo, conversava sobre como tinha sido o dia, mas, eu sabia que aquilo era só um pretexto pra me fazer ficar com sono e nem perceber que ela dormiria ali. Fazer o que, ela tinha aprendido com a melhor, eu sempre o fazia também. Eu tava bem cansada, tentei evitar as coisas que tinham acontecido hoje e dormi. Dormi um sono maravilhosamente bom.
- ACORDA FLORZINHA!
- Mãe, você e o Felipe tem algum tipo de acordo pra me irritar de manhã?
- Você vai se atrasar.
Infelizmente ela tava certa, me arrumei na velocidade da luz, comi alguma coisa que tinha gosto de nada e assim que eu tava saindo de casa o Fe tava chegando, mas que porra é essa o menino que eu mal conheço e já estou chamando de Fe? Ok, tudo bem, era como se eu já o conhecesse faz tempo. Ele pensou em dizer algo, certeza que pensou, mas, não disse, só riu e continuou andando. Nós cantamos the strokes até uma quadra antes de chegar na escola, depois ficamos conversando sobre as aulas de tarde que teriam início na semana seguinte e fomos pra sala. Quarta feira, dia qualquer um, aula de matemática. Depois reclamam que a gente não curte matemática, porra, colocam uma mula pra dar aula. Certeza que minha professora tinha mais de cem anos, e ela gritava como se não houvesse amanhã, falava cuspindo e ainda cutucava os alunos. Que merda. Eu e o Fe passamos mil bilhetinhos durante a aula, eu não tava nem ai pra delta, ela que me desculpe, mas, na boa, b²-4.a.c? E agora x ainda tem linha? Minha filha, saudades de quando matemática era só numero. Dormi em umas aulas, participei de outras, ri muito em outras, fiz o cabelo, a unha, cinco filhos, um frango, construí uma muralha e o dia ainda não tinha acabado. Nem o intervalo tinha chegado, alguém me explica? O Justin tava conversando com umas pessoas, daí ele veio até o Felipe, que tava do meu lado e disse:
- E ai guri, beleza?
- Na paz.
- Então, esse final de semana vai ter uma festa lá em casa. Meu irmão vai levar o pessoal da faculdade, daí se estiver tudo bem pra ti, aparece lá. Tu também Ma, se quiser ir, todo mundo aqui sabe o endereço.
Então ele saiu, eu fiquei pensando num jeito de tacar uma pedra na cara dele. Primeiro ele é babaca, depois escreve um bilhetinho legal sobre mim, depois me ignora, e agora me chama pra uma festa? Qual é! Só tem gente estranha nesse lugar, mas, beleza, eu não iria mesmo. Não queria muito contato, até por que, festa na minha língua é qualquer lugar com os meus amigos, que, por acaso, estavam a uns mil quilômetros de mim. A aula acabou, finalmente tinha acabado. Na hora da saída não achei o Felipe, daí ele me mandou uma mensagem falando que ia pro futebol hoje, fui sozinha, foi bom até, cantei meus refrões sem medo. Cheguei em casa e a minha mãe não estava, porém, tinha comida de verdade, até deixei um bilhetinho na geladeira agradecendo. Comi e fui pro computador, era dia de skype, eu precisava falar pra Mari como tudo tava diferente e legal aqui.
- A-M-I-G-A!
- Ai Mari, que saudade!
- Me conta tudo, sério, já pode me adiantar como vão ser minhas férias nesse mar de gente bonita.
- Aqui não é muito legal, sei lá, chove o dia todo. Conheci uns guris legais, um deles é meu vizinho, o que eu mais converso, ele chama Felipe, tem nossa idade, é lá da sala. Têm umas gurias bem biscates, nada muito diferente daí. Os professores são bem diferentes, meio velhos e com umas manias chatinhas, mas, to levando. A minha mãe ta super feliz, e isso, pra falar a verdade, é o que importa. Acho que meu pai e meus irmãos estão bem. Tirando a falta que eu to sentindo dos meus cachorros e de você, ta tudo indo bem aqui.
- Eu to muito feliz que tu esteja se adaptando, de verdade, mês que vêm têm três feriados, já comprei a passagem e sim, eu vou ai quer você queira ou não. Preciso avaliar como está sua vida, quem sabe eu não me mude também né, cansei daqui HAHAHAHAHAHA, mentira, o Lucas me mata. Mas, a gente vai se ver o mais rápido possível ok?
- Ai Mari, você ainda ta namorando com esse atraso de vida?
- Não, mas, a gente vai voltar. Qual é, são cinco anos, entre idas e vindas, a gente vai casar.
- Eu sei que vão!
- Algum lindo na sua escola?
- Tem, mas, sei lá, aquelas belezas comuns.
- E esse Felipe?
- É super gente boa, a gente joga videogame juntos, a mãe dele é um amor, é legal.
- To nem ai, eu quero é uma foto.
- Eu já te contei que sou amiga dele a três dias? Pois é, não tenho foto.
- Bem sua cara esse desinteresse.
- Também te amo! Eu preciso sair, acho que vou correr um pouco, beijo Mari.
- Se cuida Ma, te amo e to com saudades.
 A Mari é meio louca e meio moca também, mas, ela é a melhor amiga que alguém pode ter. A gente se conhece desde pequenas, melhores amigas desde então. Eu fui correr, conhecer melhor aquela rua, já fazia um tempo que eu tinha chegado, mas ainda não conhecia nada por ali. Descobri que tem um restaurante bem lindinho, tem mais cara de barzinho vintage e eu curti muito isso. Tem uma plaquinha escrita “apresentações ao vivo”, mas, aquele lugar é tão escondido que duvido muito que alguém que quer ser visto se apresente ali. Mais em baixo tinha um parque bem fechado, bem verde, bem lindo. Mais pra baixo uns prédios, e virando a esquina uma casa enorme e bonita. Eu voltei, já tava cansada de correr, e acabei chegando em casa junto com Felipe.
- Tava aonde?
- Não interessa.
- Fiz um gol pra você!
- Sério?
- Aham, os outros quatro foram pra maria chuteira que tava gritando meu nome, ela é gata pra caralho.
- Que merda de vida em…
- Eu acho muito boa, por sinal.
E ele fez uma cara de menino quando ta pensando em mulher pelada, que nojo, eu não era obrigada a ver aquilo. Cortei o mal pela raiz.
- Então, falando em falta de roupa pra lavar, o que tu vai fazer agora?
- Não, não vou pra sua casa com você te pegar, para de ser insistente Ma, você não faz meu tipo.
- Cadê as câmeras?
- Que câmeras?
- Pra eu começar a rir dessa sua pegadinha.
- Ra Ra Ra, palhaça.
- Lindão! É que não to conseguindo configurar a TV, só queria ajuda pra isso.
- Eu esqueci da sua falta de habilidade pra tudo que exige um controle né, a começar pelo videogame.
- Se fode! Me ajuda logo.
A gente foi pra minha casa, enquanto ele arrumava a TV eu tomei um banho frio e troquei de roupa, tava meio abafado. Quando eu desci ele tava colocando senha nos “canais proibidos” por que segundo ele eu era uma mocinha que não podia ter acesso aquele tipo de coisa, ok, entendi duas palavras do que ele disse, parei no mocinha. Fiz um lanche pra gente, sim, sou um amor de pessoa. Depois ele foi embora e eu assisti uns filmes até a minha mãe chegar. A gente jantou, conversou, ligou pro meu pai e pros meus irmãos e então a gente dormiu. A semana passou bem rápido, graças a Deus, tava sendo suportável toda essa história de mudança. 

Com você eu consigo voar. - Cap. 4




- ACORDA PRA VIDA MINHA FILHA! DA BOM DIA PRA DEUS, PRO SOL, PRO VIZINHO, ALIÁS, ELE TA ESPERANDO AQUI A UMA HORA JÁ!
Por que essa louca ta gritando? Amo minha mãe, amo mesmo, mas, se tem uma coisa que ela faz que me irrita é não saber me acordar. Não me espanta, meu pai passou a vida toda me acordando, ela tava pegando a prática ainda. Pera, ela disse sol? Que lindo, tava frio e com sol, o clima perfeito pra começar um bom dia. Pera de novo, ela disse vizinho?
- To indo mãe! – Tomei o banho mais rápido do mundo, me arrumei voando e desci pra tomar um chá, ou café, ou leite com toddy, em fim, qualquer coisa.
- Bom dia flor do dia.
O Felipe sendo fofo na frente da minha mãe, tão espontâneo. - Sai daqui assombração.
- Maria Alice, cadê os bons modos?
- Ai, desculpa, na pressa deixei lá em cima, já volto. – Subi correndo, esqueci a mochila. Desci e eles estavam conversando como amigos de infância. Perdi alguma coisa?
- E ai florzinha? Vamos?
- Cadê?
- O que?
- A florzinha que vai com você?
A gente saiu de casa rindo e comendo um bolo que minha mãe tinha feito, sim, foi ela quem fez, e tava muito bom. Ele ficou o caminho todo falando de como minha mãe era gata, perguntando se ele tinha chance e eu falei que a maior chance dele era de calar a boca antes que ele perdesse a chance de ter uma. Chegamos na escola, meio que juntos, umas pessoas olharam, pena pra elas né, por que eu não fiz questão de olhar pra ninguém. Chegamos na sala, o pessoal ainda estava sentando, um ponto pra mim que não cheguei atrasada.
- Bom dia pessoal, preparados pra melhor aula das suas vidas?
- Claro! – Todo mundo respondeu no mesmo tom da pergunta.
- Então abram suas mentes na página um, por que, hoje, vamos escrever a história da vida de vocês. Façam duplas, aliás, casais. Um menino e uma menina, quero que um descreva o outro, mas, eu vou escolher, danadinhos. Não podem se conhecer tão bem, se não perde a graça!
- Pela chamada as duplas são: Ana Clara e Lucas, Maria e Felipe… – Droga, eu bem que podia ter a vida facilitada pelo destino né? Ou pela chamada. – Jéssica e Diego, Maria Alice e Justin… – Nesse segundo eu preferia que tivesse chovido. Qual é? Esse menino ri de tudo, quando não ta sendo inconveniente ta dormindo, que mané dupla, ele vai me descrever como? Que história da minha vida ele poderia dizer? Enquanto eu estava num embate épico comigo mesma, o Justin puxou a cadeira pra perto de mim e disse "vamos começar de novo?" COMEÇAR O QUE MEU FILHO? Minha mente queria gritar com ele que eu não tinha nada pra começar com ninguém, eu não gostava do jeito dele.
- Prazer, meu nome é Justin, todo mundo acha que eu sou babaca, mas, ninguém aqui me conhece. Minha mãe morreu quando eu tinha três anos, eu gosto de violão, bateria, piano, guitarra e tudo que faz um barulho legal nas músicas antigas. Tenho uma irmã e um irmão, e sim, meu pai casou de novo. Eu gosto de cantar. Gosto do frio daqui, tenho um cachorro que é o meu verdadeiro amor. Você já sabe bastante coisa, escreve o que eu te disse sobre mim, ai você vai terminar rápido e acabar com essa cara de quem ta sendo torturada só por que ta do meu lado.
Eu precisava devolver a altura, mas, confesso que ele me surpreendeu.
- Prazer, meu nome é Maria Alice,mas, pode me chamar de Ma. Meus pais se separaram à um tempo, mas, eles ainda são amigos e tal. Eu me mudei pra cá com minha mãe por causa do emprego dela, tenho três irmãos homens que moram na minha antiga cidade, uma melhor amiga, nenhum ex namorado, quero casar virgem, não to com cara de tortura, estou disposta a entender por que sua personalidade tem cheiro de n'ão-chega-perto-se-não-tu-se-fode", toco violão, arrisco no piano, escrevo algumas coisas pra relaxar, e pra sua cara de convencido sair, tu também pode escrever isso sobre mim e voltar pra sua turminha. E sinto muito pela sua mãe. Aposto que você tem o sorriso dela. – O que? Que merda foi essa Ma? Eu pensei a última frase alto, meu Deus, quem era eu pra falar alguma coisa da cara da mãe dele? Eu queria pedir desculpas, mas, ele tava rindo com uma cara meio estranha de quem podia chorar, mas, que não queria. Eu fiquei meio desesperada com aquela cara, o olho dele foi ficando grande, que merda! Mas, ele finalmente quebrou meu conflito pessoal com um toque. Ele afagou meu cabelo, colocando-o atrás da orelha.
- Eu tenho mesmo o sorriso dela, as covinhas, na verdade. – Ela devia ser linda, mas, isso eu pude controlar.
- Então ela deve ficar feliz lá de cima te vendo sorrir…
- Talvez.
- Vou terminar de escrever isso logo, preciso entregar umas coisas pro Felipe.
- Já com namoradinho?
- Não, é só que…
- Tu não me deve explicação… – E ele tava certo, por que eu tava me explicando? Ele riu, ainda bem, o clima tava meio estranho ali. Alguém pode me explicar o porquê? Eu queria dar um abraço nele, o abraço que me dão quando eu falo do meu avô, mas, parecia estranho e inapropriado. Então o descrevi no meu papel e entreguei pro professor. As outras duplas foram entregando suas descrições e previsões pro futuro um do outro, e no final, o professor fez uma roda no meio da sala.
- Então, agora eu vou ler as descrições, mas, não vou ler o nome de quem fez e nem pra quem são. Só vou ler, e no final, cada um vem aqui pegar a sua de volta e entregar pra quem foi escrito, ok? Alguma dúvida? – Minha única dúvida era onde eu iria enfiar minha cara quando o Henrique recebesse o papel dele.
- “Ele parece ser legal e acho que vai ter um futuro brilhante”
“ Ela é bem divertida, acho que vai casar logo”
“Não consigo não rir dele, ele pode ser comediante”
“Ela é estranha e não gostei dessa brincadeira”
Meu Deus, por que todo mundo escrevia coisas tão superficiais e pequenas? Eu ia morrer de vergo…
“Ele é diferente. Eu pré julguei, achei que ele fosse um babaca, mas, ele parece ser legal. Pela voz pode ser um ótimo cantor, ou pode ser um daqueles caras que cantam pros filhos dormirem. Essa capa de quem não está nem ai pra nada e esse aspecto de ‘dane-se tudo sou engraçado demais’ não me engana. Ele tem o sorriso da mãe, e pela cara que ele fica quando fala dela, aposto que tem o coração também. Independente do que ele vai ser, tenho fé de que vai ser um grande homem, uma boa pessoa.” – Era o meu. PUTA QUE PARIU MIL VEZES, era o meu, e provavelmente o mundo todo sabia que era o meu, mas, foda-se o mundo, eu sem querer tinha acabado de falar a vida toda do Justin pra trinta pessoas. Ele não olhou pra mim, só riu, mexeu na cabeça, como se estivesse montando um jogo difícil, riu de novo e ficou fitando o chão.
- “Ela é diferente das outras novatas, das outras meninas, de todo mundo. Eu não sei por que, mas, é. Ela olha pra onde ninguém olha. Pra variar, ela tem bem uma cara dessas santas que abraçam causas impossíveis. De qualquer forma, ela vai ser alguém que muitas pessoas teriam o prazer de conhecer, ou não, por que ela é má”. – Eu perdi a fala junto com o chão e o resto dos sentidos. Ele tinha mesmo escrito aquilo sobre mim? O Justin era uma anta em forma de gente, oco de tudo pra sentimentos. Fingi que não entendi, nem prestei atenção nos outros papeizinhos, quem queria saber? Peguei o meu e numa tentativa de fingir que ele, sem querer, tinha caído no lixo, o Justin o tomou da minha mão.
- Obrigada por isso.
- Por isso o que?
- É legal o que você fez, falar de mim como se eu fosse uma boa pessoa, por que, Ma, olha pra mim, da pra ver que tipo de cara eu sou né.
- Dá.
- Mas, valeu!
- Obrigada pelo que tu disse também.
- Eu menti, só queria ser legal.
- Eu também.
- Eu sei. – Ele riu. A gente riu. Foi uma risada estranha e desconcertante, cara, que aula confusa. Puta merda, tu vai pra escola achando que vai aprender pra que serve o PI e do nada tu tem que falar sobre o menino mais indiscutível do mundo. Eu não queria falar com ele e nem sobre ele, que embaraçoso, de verdade. Não gostei! Ele deve ter lido minha mente, se virou e foi embora conversar com uma menina magrela que tava encostada na porta parecendo um poste. O Felipe chegou, a gente conversou mais ou menos sobre a brincadeira dos papeis e fomos pro intervalo, graças a Deus, eu precisava sair daquela sala. O Justin passou o resto do dia abraçado com essa menina, não que eu tenha ficado olhando, mas, não importa. O Felipe desenhou alguma coisa no meu braço, falando que ele era lindo, e depois a gente foi pra casa. O dia tinha passado estranhamente rápido, ainda bem, odeio demoras.