O resto da tarde foi bem normal, conversei com umas amigas por vídeo conferência, e com o meu pai também, e confesso que isso me deixou com um pouquinho de saudade até dos dias de briga do ano passado. Respirei fundo e bola pra frente, mudanças são coisas legais, por mais que às vezes não pareçam. De noitinha o Felipe passou lá em casa, ele disse que o pai dele tinha chegado, fiquei meio tensa por que ele me chamou pra conhecê-lo, mas, fui.
- Boa noite, senhor.
- Boa noite senhorita. – E ele riu, o mesmo sorrisinho do Felipe, e fez com que ele me parecesse familiar.
- É um prazer te conhecer, Felipe fala bastante de você.
- Que mentira Ma, eu nunca falo dele.
- Então, como eu tava falando com o seu pai…
- Obrigada pela defesa Maria Alice. – O pai dele suspirou.
- Só Ma, por favor.
- Combinado, mas, só se você esquecer a parte do senhor ok?
- Fechou.
A mãe dele tinha pedido comida dessa vez, certeza, tava muito bom. Nós jantamos, assisti o pai do Fe dar uma surra nele no videogame e depois ele me deixou ganhar. Vou esfregar isso na cara do Felipe sim ou claro? Exatamente; claro que sim. Nós rimos bastante, tanto o Felipe quanto o pai dele eram gente boa e engraçados, o pai dele falou umas coisas em relação ao ele ter bom gosto e eu torci pra ele não achar que existia possibilidade de nós termos alguma ligação exceto as que acontecem pelo celular. O Fe foi me levar em casa e eu vi o pai dele espiando pela janela, que feio, porém, engraçado, parecia que ele era a garotinha. Ele pediu desculpa pelo constrangimento e eu disse que só precisava agradecer por que aquela noite tinha sido incrível. Lavei o rosto, deitei e dormi, o dia tinha sido cheio.
- Ma, acorda, ta chovendo e hoje a mãe do Felipe vai levar vocês dois na escola, corre!
- Ta mãe, já vai. – No mínimo a mãe dele ia levar a gente numa canoa né? Por que não tava chovendo, estava acontecendo um dilúvio e minha mãe tinha tentado ser básica. Me arrumei literalmente correndo, coloquei um casaco pesado e uma capa de chuva, e adivinhem? Eu tava gripada. Eu, no mínimo, ia socar a cara do Justin por aquele banho que ele me deu. Entrei correndo no carro e chegamos super rápido na escola, desci correndo por que se eu pegasse mais uma gota de chuva minha gripe não iria agradecer.
- Bom dia Justin, só queria agradecer pelo banho de ontem viu? Tem uma terra que não sai do meu uniforme e eu to gripada.
- Eu te falei pra fechar a janela do banheiro Ma, tomar banho quente com a janela aberta não faz bem. E quanto a terra, eu te disse pra não tirar a roupa no jardim, pra deixar o uniforme pelo menos na sala, por que no jardim ia sujar, mas, você não me ouviu né…
- Você ta possuído?
- Vai dizer que você se esqueceu do nosso banho?
- Vai se foder. Espero que alguém te atropele, ou que batam no seu carro, e que você morra de pneumonia.
- Também adoro você, amor. – Ri um sorriso que mandava ele ir pra merda e sai andando, babaca, ele sabia que eu tinha falado do banho que ele me deu com o carro, mas, confesso que a piada foi bem pensada. Não tinha ninguém por perto pra ouvir, foi uma piadinha bem interna, mas foi ridículo.
- Bom dia nova preferida do meu pai!
- Bom dia ciúme.
- Não é ciúmes, mas, ele falou com você mais vezes do que falou comigo em uma vida toda…
- Também, tu é um porre.
- Cala a boca! Ma, adivinha?
- Eu não.
- Tosca! Então. Vai ter um acampamento do pessoal da minha família, vai ser nesse feriado agora, durante uma semana, eu vou ter que ir, quer ir comigo?
- Não, apesar de que eu sei que vai ser super legal, eu não posso. Não quero deixar minha mãe sozinha e tal.
- Tudo bem, mas, se prepara pra ficar uma semana sem mim.
- Nossa, vai ser realmente tão difícil, nem sei como sobrevivi até hoje…
- RA RA RA. Eu sei que você vai sentir saudade.
- Talvez. – Ele riu e a gente fez um teste que o professor tinha passado, uns deveres, conversamos mais um pouco, e hoje, finalmente, o dia tinha passado bem rápido. Na hora de ir embora nós fomos, e como o feriado iria emendar, eu não tinha mais aula essa semana. Adivinha quem estou mais do que feliz? Pois é. Ajudei Felipe a arrumar a mochila que ele ia levar pra viagenzinha dele e ele me ajudou a lavar a louça, nada mais justo. Ele foi com os pais dele e eu fiquei, seria deprimente se eu não tivesse uma lista de filmes e lugares pra ir. Fui no centro da cidade, num restaurante que tinha todo tipo de comida de todos os lugares do mundo, achei bem interessante e entrei, parecia um shopping de tão grande. Fui na parte japonesa, confesso que não resisto, mas, me arrependi.
- Pelo visto quem ta me seguindo é você né Ma?
- Sem sonhar, Justin
- Senta ai, você não vai achar muito lugar pra sentar.
- Eu não, você é muito letal. Em menos de um mês já consegui uma gripe e um uniforme manchado graças a você, Deus que me livre de mais um dano. – tive que rir.
- Prometo não te machucar.
- Vou acreditar só por que não tem mais lugar mesmo pra sentar.
- E eu vou acreditar só por que discutir com você me da preguiça.
- Blablabla, em fim, quero um hot Filadélfia.
- Então pede.
- Que babaca você.
- Que mimada você.
- Oi, moço, você pode me trazer uma porção de hot Filadélfia?
- Claro, algo mais?
- Traz um suco de maracujá pra ela também, pra ver se essa raivinha some.
- Traz uma faca pra gente ver se o Justin some também ta?
- Mais alguma coisa senhores? – A gente riu, tadinho do garçom.
- Só isso. – Falamos ao mesmo tempo.
Nós comemos, brigamos, bebemos, brigamos, brigamos, brigamos, rimos, brigamos e ele me levou em casa.
- Obrigada por hoje, acho que eu não ria tanto assim desde quando me mudei.
- Obrigada também, só não se apaixona ta?
- Vou me esforçar bastante, obrigada pela dica.
- Sério?
- Claro que não – ri descontroladamente – não me apaixono, muito menos por pessoas que nem você. Desculpa te decepcionar.
- Combinado então, só amigos, sem mais.
- Colegas, ainda não me convenci de que te quero como amigo.
- Como você quiser, daqui a pouco você não vai viver sem mim.
- Só quando você se chamar oxigênio meu bem.
- Se cuida mal criada.
- Eu sempre me cuido, iludido.
Achei que a noite sem o Fe seria uma merda, confesso, mas, mais uma vez, fui surpreendida. Além de mudanças, há surpresas que vem pro bem também, assim eu espero.





