Fui pra escola com o Fe, como eu nunca deveria ter deixado de ter feito, e tive que aguentar as piadinhas.
- Então quer dizer que a Má se apaixona?
- Não sabia que jumento falava.
- Ui ta bravinha? – Disse a Selena.
- Mas que cachorro latia eu já não tinha dúvidas! – Olhei pro Felipe e ri, eu já havia me esquecido de como ele fazia tudo parecer melhor, mesmo sem saber, eu tinha sentido uma saudade enorme dele. Infelizmente a escola não era tão grande como eu desejei que ela fosse, cruzei com o Justin.
- Olha, eu não vou ficar correndo atrás de você pra te explicar o que aconteceu. No começo era uma aposta, pra ser engraçado sabe? Mas depois, porra Ma, você sabe que foi tudo de verdade.
- Eu sei que foi, só não quero ficar perto de alguém que aposta que “me ganha”, mesmo que depois fique feliz por isso. Eu não quero ficar perto de alguém que minta pra mim Justin. Naquela lista de coisas sobre você não tinha mentiroso, e você disse que não iria me desapontar. Eu só to decepcionada, e eu podia sentir muito, mas, exceto pena, eu não sinto nada por você. Por que eu? Eu te ouvi, te abracei, e abracei com o coração. Não menti em nada pra você. Tentei mesmo ser sua amiga, por que eu achei que tu podia ser diferente. E agora? Eu só não quero do meu lado quem um dia vai me fazer quebrar a cara de novo. Volta pra sua cachorrinha e pros seus amiguinhos. Eles são que nem você, eu não. – Sai, o Felipe ficou do meu lado o tempo todo, e depois de ter falado tudo, eu tive que sair correndo, fui pro ginásio da escola e chorei tudo que eu não tinha chorado ontem. Terça-feira, 7 horas da manhã, última cadeira da primeira fileira, e foi aquele o lugar que eu tinha escolhido pra chorar todas as minhas decepções.
- Não chora por isso não…
- Eu to brava comigo sabe Fe? Por que eu sempre soube como ele era, e o que ele fez não me machucou, o que me irrita é a cara de pau dele de ainda tentar se explicar, como se houvesse explicação pra ser filho da puta. – O Justin meu deu a garrafinha de água dele e eu bebi praticamente tudo. Nós matamos as três primeiras aulas ali, depois do intervalo entramos na sala. O professor tinha faltado, mais uma aula livre, até que o dia tava ficando bom.
- Mais um pra te iludir Ma? – A Selena já tava passando dos limites, peguei o copo d’água que tava na minha mão e joguei na cara dela.
- Pra você, queridinha, é Maria Alice Dietrich. Eu não sou sua amiga, nem colega, infelizmente e somente sou sua conhecida. Não me dirige a palavra quando eu não estiver falando com você, e pra dar início a uma ótima campanha da vida, vamos começar cada um cuidando da sua? – Amassei o copo, deixei na mesa dela e assim que eu sentei na minha carteira a sala toda começou a rir. Não achei nada engraçado, então, dividi meu fone com o Felipe e ficamos até a aula seguinte ouvindo Selah Sue, ele até aprendeu a gostar. O Justin me mandou uma mensagem falando que eu tava certa e que ele não iria mais me incomodar, ouvi um amém? O resto da semana foi tranquila, depois do meu papinho com a Selena a turma toda mudou de assunto e finalmente, pro Felipe que não parava de falar disso, tinha chegado o final de semana. Ele foi me buscar em casa antes do sol nascer, fala sério, só fui por que ele implorou a semana toda. Entrei no carro e ele dirigiu até um campo, um campo enorme e lindo, mas, ainda tava tudo escuro. Ele pegou uma cesta que tava cheia de coisas gostosas pra comer e nós entramos numa big cesta, e eu não tava entendendo nada, mas, entendi quando vi aquele fogo e senti que a gente tava saindo do chão. O Felipe tinha ido me levar pra passear de balão, eu me lembro de ter comentado que era o meu sonho, mas, nem percebi que ele tinha prestado atenção.
- Pronta pra ir pro céu? – Ele era a melhor coisa que eu podia ter do meu lado, naquele dia.
- Pronta pra ir pra qualquer lugar com você. Obrigada, tu sabia que andar de balão era o meu sonho. – Ri e segurei a mão dele, eu tava nervosa, acabei tendo que admitir meu medo de altura. Nós comemos uns biscoitinhos que ele disse ter feito, duvidei e impliquei com ele por isso, mas, acabei me dando por vencida. Nós vimos o sol nascer, foi lindo, mas, nem se comparava ao sol que eu vi naquela montanha úmida e sem graça. E era uma merda ter que admitir isso também.
- Ver o sol nascer daqui de cima é lindo né?
- É um sonho!
- Eu trouxe o nosso almoço também, a gente vai descer, andar de barco e depois voltar pra ver o sol indo embora. – O abracei.
- Você é o melhor, sem sombra de dúvidas.
- Eu sei.
- Babaca, era brincadeira, você é podre.
- Sai Ma, não vou te dar uma chance comigo.
- Eu é que não quero nada com você.
- Também te amo emburradinha.
- Sai pra lá.
- Não dá, só se eu pular daqui. – Rimos da piada ridícula, depois voltamos pra terra firme, almoçamos, andamos de barco e subimos de novo. E essa foi a parte em que as coisas ficaram estranhas, graças a mim e minha boca grande.
- Fe, posso te fazer uma pergunta?
- Pode.
- Qual é o seu maior sonho?
- Me formar em arquitetura, construir uma casa foda pra mim e curtir a vida. Por que?
- Nada, só queria saber.
- E os seu? Qual é o seu maior sonho?
- Ser feliz, mas, sem muita coisa sabe? Poder ter uma história incrível de cada dia da minha vida. Quero que cada hora seja única, não sei, quero viver coisas inesquecivelmente lindas.
- Eu amo isso.
- Isso o que?
- O teu modo de sonhar.
- Por quê? É tão comum.
- O sonho da minha ex era ser dona da Chanel.
- Tu namorava um tijolo, não uma guria né.
- Você que é diferente Ma, e é uma diferença boa, linda de verdade. – Fiquei meio sem graça e ele percebeu, foi engraçado ver o jeito que ele tentou contornar pegando chiclete azedo e fazendo uma competição de caretas entre nós dois e o cara do balão.
- Primeira estrela do céu, vamos fazer um pedido?
- Ma, tu acredita mesmo que pode se realizar?
- Acredito!
- Então ok, pode pedir. Mas, pede em voz alta, por que se acontecer, eu vou passar a acreditar também.
- Ok. Eu quero que essa minha mudança de vida seja inesquecível pro lado bom. Sua vez!
- Eu não quero nada, tudo que eu já pedi, acho que agora ta aqui. – Perdi as palavras, o ar e o chão e já tinha perdido há algumas horas. Será que o ciúmes do Fe ativou alguma parte romântica dele? Fiquei confusa. Ele me abraçou e depois, na hora de descer, ele me pegou no colo e me tirou daquela cestinha divertida. Fomos pra casa cantando love song, mas, eu não deixei de pensar no que ele falou. Meus pensamentos entraram em ordem depois que ele começou a implicar e ser o mesmo Felipe de sempre, e tudo se normalizou 100% quando nós jogamos videogame e ele não me deixou ganhar. Só que, de noite, ele me mandou uma mensagem me chamando de “meu anjo”… Qual era a desses garotos dessa cidade? E eu que me achava bipolar.

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