sábado, 4 de maio de 2013

Com você eu consigo voar - Cap. 14



Eu olhei, esfreguei os olhos, pisquei, mas, era mesmo verdade.
- Posso interromper as garotinhas?
- Qual é Ma, to adorando conhecer sua mãe, quer dizer, nossa, por que eu já me ofereci pra ela me adotar. – Ele riu um riso tão sarcástico que, por um minuto, olhei com muito apreço pro jogo de facões da minha mãe e pensei no desenho lindo que eu podia esculpir na cara desse oferecido.
- Vaza garoto, minha mãe, minha casa, e por falar em propriedades, tu ta sentado na minha cadeira.
- Boa, isso são modos de tratar o menino? Rapaz bonito, gentil…
- Então quer dizer que seu apelido é Boa? – O Justin tava pedindo pra gente fazer um número mágico imitando aqueles caras que engolem espadas.
- É que eu acho Ma muito feio sabe Justin? Atrai coisas ruins, ai prefiro chamar minha princesa de Boa.
- Ah, princesa, sempre soube que você tinha algo bom, mesmo que fosse o apelido. – Aquele olharzinho, ia ter troco, isso ele podia apostar.
- Então, eu vou lá pra fora, tchau.
- Calma filha, eu fiz lanche!
- Da pro seu novo melhor amigo ai, quer dizer, filho né.
- Boa, não fala assim. Pode ir lá pro jardim que eu levo. – Minha mãe sendo gentil, o Justin deve ter usado alguma tática de hipnose, por que não tem explicação. Sentei na grama e fiquei assoprando uns dentes de leão que estavam por perto, eles me davam aquela esperança boba de fazer um pedido. No primeiro dia que encontrei essas florzinhas diferentes eu pedi minha vida de volta, mas, agora, eu só queria que aquela mudança valesse a pena. Então, no meu maior momento de reflexão, surge uma bola na minha cabeça.
- QUE PORRA É ESSA?
- Desculpa Boa, é que eu sou muito bom de bola. – Ele riu até perder o fôlego, o que não era muito difícil.
- Você gosta de rir Justin?
- Gosto, por quê?
- Por que se você não parar de ser tão engraçado vou ser obrigada a arrancar todos os seus dentes, e creio eu que rir sem dentes não fica muito bonito.
- Cala a boca! Eu sou lindo de qualquer jeito.
- Claro que é, ai você acorda e percebe que não.
- Calma Boa, não precisa ficar com ciúmes da nossa mãe, você ainda é a princesinha da casa HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- Ou, deixa eu dar um chute na sua cara? Só pra fazer um teste? Se dor você me avisa que eu prometo que não chuto de novo! Me chama de boa mais vez que eu…
- Boa! – Fui tentar dar um empurrão nele, mas, nós dois caímos por que meu nome é Maria Alice desastre, não podia ser diferente. Confesso que quem viu a cena de fora deve ter visto duas crianças se atracando pra decidir que ganhou no videogame, mas, não era bem isso que tava acontecendo. Ele me prendeu com força contra a grama, isso pra não falar contra ele. Prendeu minhas pernas com as pernas dele e segurou meus braços de um jeito que me senti um gatinho lutando com um leão, babaca.
- Me solta.
- Admite que sou um ótimo amigo, se não eu não solto.
- Você não é meu amigo. – Então ele chegou muito perto do meu rosto, eu conseguia sentir o coração dele batendo e a respiração dele me fazia cócegas.
- Admite. – entrei no jogo dele, cheguei mais perto, ao ponto de praticamente não haver distância entre os nossos rostos, então ele afrouxou minha mão, bem coisa de perdedor. Coloquei ele entre mim e a grama, ninguém me vencia numa lutinha.
- Você nunca ia ganhar de mim. – Dei um soco de leve no queixo dele – Você ainda tem muito o que aprender, garotinho.
- Eu te deixei ganhar.
- Eu finjo que acredito.
- RÃRÃÃÃÃÃÃÃÃÃM
- Oi, é, mãe.
- E os modos minha filha? E os modos?
- Eu só tava ensinando pra ele que ninguém perde pra mim numa lutinha.
- Isso é verdade Justin, a Ma nunca perde.
- Ah tia, eu que deixei ela ganhar.
- Aham, acredito! – Pelo menos minha mãe ficou do meu lado né – Fiz uma torta salgada e tem suco lá dentro, vocês vêm comer? – o Justin nem deixou ela terminar de falar, já saiu correndo igual a um desesperado, e quando chegou na porta ficou parecendo aqueles ratinhos guiados pelo cheiro do queijo, foi engraçado.
- Minha mãe conquista todo mundo pela boca, cuidado.
- Ela já me conquistou, aliás, já me adotou.
- Aham, claro. Isso tudo é vontade de entrar pra família?
- Não me enche, coloca pra mim, essa torta ta com uma cara linda.
- Fofo, a empregada morreu queimada ta? Sua mão não vai cair se você se servir.
- Que vingativa.
- Você ainda não viu nada.
- Quer dizer que ainda vou ter chances de ver?
- Você tem o resto do feriado pra me provar que é o oposto do que eu julgo ser, digamos que ainda faltam 60% de mudanças.
- E o que eu ganho com isso?
- Uma estrelinha dourada na tesa – ri – nada, a não ser que amizades passem a ter valor pra você.
- Então quer dizer que agora você é minha amiga?
- 60 %Justin, 60%. 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Com você eu consigo voar - Cap. 13

- Que é?
- Desculpa, é só que, eu sinto falta dela sabe? E acho que eu nunca tive um “luto”, não sei reagir, falar, lembrar, não é que nem perder um colega, ela era minha mãe.
- Eu sei como dói perder alguém, mas, tenho certeza que ninguém que vai embora tem a intenção de levar sua vontade de fazer as coisas com ela, inclusive e principalmente sua mãe. Fala dela, chora, briga, fica puto, é assim que passa. – Ele me olhou de um jeito que nunca tinha olhado, bem nos meus olhos, como se fosse me dar um tiro com eles. Observei cada passo, ele voltou pra arvore, colocou as duas mãos nela, e começou a gritar. Ele gritou, gritou muito alto, e a única coisa que eu ouvi foi um “eu sinto sua falta, juro que sinto, e desculpa ter mudado tanto”. E me doeu, bem no fundo doeu, e eu não queria estar ali, por que superar, às vezes, é muito pior do que perder.
- Pronto, é assim que as coisas são, eu grito, converso com uma árvore a anos, e sabe o pior? Nada muda.
- Quando meu avô morreu eu também pensei assim, mas, muda sabe? Por que eu sei que, não importa onde ele esteja, ele me quer bem. Eu preciso seguir sabe? Hoje eu falo dele sorrindo, e é assim que as coisas tem que ser.
- Eu sou forte com bebida, brigas, palavras, mas, chuva me derrota, é só por isso que eu to assim.
- Sei.
- É sério. – Segurei a mão dele o mais forte que eu consegui, fechei os olhos e pedi pra Deus, pedi muito pra que ele parasse de me olhar com aquela cara de quem chora, mas, que não vai chorar por que é machão demais pra isso. Tudo, menos aquela cara.
- Acho que eu vou ficar com pneumonia. – Então ele me puxou pela mão e a gente começou a correr, nossos cachorros ficaram brincando e correndo com a gente, foi engraçado até quando eu tropecei na coleira de alguém e cai.
- AI CARALHO, MEU JOELHO!
- Ta saindo sangue Ma, puta que pariu, que que eu faço?
- Dar beijinho pra sarar que não vai ser né, me ajuda. – Ele me ajudou a levantar e fui cambaleando até a casa dele. Ele abriu a porta, que não estava trancada por sinal, não tinha ninguém, então eu entrei. Ele subiu as escadas, que eram imensas, correndo e pegou uma caixinha de emergência. Tinha mil coisas que não são emergenciais, porém, ele conseguiu fazer um curativo. Depois me deu uma toalha e uma roupa dele.
- Pra que isso?
- Não quero ninguém com pneumonia.
- Que delicado você!
- Vai se foder, se seca logo que eu vou te levar em casa e falar pra sua mãe que tem um pedaço do seu joelho na rua.
- Que exagero, foi só um cortezinho mínimo. – Ri por que meu joelho tava sangrando pra caralho, e fui pro banheiro da sala tentando não sujar o chão. A porta não tinha chave, que ótimo, parece que nada lá fica trancado. Tirei a roupa, enrolei a toalha no cabelo e me vesti com uma bermuda e uma blusa branca que era gigante. Fiquei parecendo aquelas mulheres de malandro, e já fui pensando em como explicar pra minha mãe por que eu tava vestida com a roupa dele.
- Ficou linda viu!
- Sai, você não faz meu tipo. – A gente riu. Ele me levou até em casa e ficou falando pra minha mãe, que não sei por qual motivo estava lá, o quanto eu sou desastrada. Eles se deram bem ou eu tava ficando louca? 


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Com você eu consigo voar - Cap. 12

Levantei do sofá e fui no quarto da minha mãe, ela ainda tava dormindo, preparei um café da manhã pra ela porque, provavelmente, ela não teria tempo de o fazer. Eu até queria mandar uma mensagem pro Justin agradecendo a gentileza, mas, eu não tinha o número dele e não era minha preferência também. Mandei umas mil mensagens pro Felipe, mas, acho que lá não devia ter sinal, por que ele não respondeu nenhuma. Hoje o dia tava quentinho até, coloquei um short e uma blusa e fui até um lugar no centro da cidade, que eu havia visto da outra vez, que vende cachorrinhos. Eu ainda não tinha me esquecido dos meus cachorros da antiga cidade, mas, eu gostava de ter uma companhia em casa. Apesar de sempre ter tido cachorros grandes, decidi comprar um cachorro pequenininho, desses que a gente pode criar em casa. Ganhei uma coleira de brinde, então, voltei correndo com a chéri, por que ela é extremamente querida e fofinha. Minha mãe brigou, mas, achou ela linda e seria incapaz de me fazer devolvê-la. Como ela ainda era filhote, dormia o dia todo, e claro que eu não fiz diferente. Depois do nosso sono da beleza, meu celular tocou de um número estranho, mas, era daqui e eu atendi.
- Oi?
- Oi Ma, é o Justin
- Ah, oi. – Por que ele tava me ligando?
- Te acordei?
- Me acordou e acordou a chéri também.
- Quem é essa?
- Minha nova cachorra, que é tão linda quanto eu.
- Coitadinha…
- Por quê?
- Ninguém merece parecer com você HAHAHAHAHAHAHA – ele riu como se fosse engraçado, idiota.
- RA RA, então, me ligou só pra ouvir minha voz?
- Na verdade, não, pra te fazer um convite.
- Espero que seja uma boa proposta pra me fazer sair da cama.
- Eu tenho um cachorro, o Spike, o meu único amor, na verdade. Hoje é dia de ir no parque passear, acho que a chéri ia gostar de conhecer o melhor lugar pra cachorro na cidade, topa?
- Sim, mas, que fique bem claro que é só pela chéri.
- Eu finjo que acredito.
- Babaca. Você passa aqui?
- Claro que não, o parque é depois da minha casa, você pode descer até aqui.
- Que cavalheirismo.
- Se você quer um cavalheiro, deveria ter viajado com seu namorado.
- Deveria mesmo.
- Ta bom, Ma, ta bom. To te esperando em cinco minutos ok?
- Vou pensar. – Amarrei o cabelo e fui. O dia tava meio abafado, por incrível que pareça, bem que dizem que depois da tempestade o sol acaba aparecendo. O Justin tava com um casaco… Qual era o problema dele?
- Você vai morrer assado com essa roupa.
- Vai chover hoje.
- Lógico que não vai, olha esse clima!
- Ma, eu moro aqui a bastante tempo, e eu sei quando vai chover.
- Ok garota do tempo.
- Vai se ferrar.
- Então vamos juntos, por que to com pressa. – E saí correndo na frente, o cachorro dele era a coisa mais linda, e tentou acompanhar a gente. Ri da cara dele o percurso todo por que ele perdeu o fôlego nos três primeiros metros, mas, tudo bem, fumantes geralmente não tem uma boa respiração. Depois de ter sido praticamente arrastado pelo Spike, chegamos ao parque. Ele tentou me xingar, mas, tava muito ofegante pra isso. Não tenho culpa se os cachorros me preferem.
- Eu preciso de água.
- Problema de?
- Vai se foder, não tenho mais um pulmão de dezoito anos não.
- Jura? Eu nem percebi quando você começou a morrer nos primeiros metros. – Ri da cara dele, por mais que ele estivesse me beliscando por causa disso.
- Vou comprar alguma coisa pra beber, já volto. – Ele voltou com duas águas trincando de tão geladas, eu quase dei um abraço nele de tanta alegria, mas, também não era pra tanto.
- Obrigada.
- De nada senhorita… To cavalheiro o bastante?
- Babaca o bastante.
- Então, você sempre me julga e me descreve achando que me conhece, não gosto disso. Se é pra me detestar, que você tenha, pelo menos, um motivo. Decidi te trazer aqui pra tu me conhecer, minha ex disse que eu sou apaixonante…
- Ela mentiu pra você Justin, para de ser bobinho.
- Você não da um descanso né?
- Ainda bem que você já sabe.
- Continuando, decidi tirar o feriado pra desmanchar a cara de cu quando tu me olha.
- E quem garante que vai funcionar?
- Ninguém, mas, tentar não custa nada, certo?
- Talvez custe, do jeito que a gente se da bem, eu posso te matar.
- Ta Ma, aham.
- Quero um algodão doce!
- Sinta-se livre e desimpedida pra comprar. – Comprei, e comprei só pra mim. Ele pediu, mas, não dei, sou egoísta mesmo. A gente correu um pouco, ele me mostrou alguns lugares do parque, até que a gente chegou numa árvore imensa.
- Plantei essa árvore com minha mãe, eu era bem pequenininho, mas, lembro como se fosse hoje. Ela me trazia aqui todos os dias pra regar nossa “mudinha”, e depois que ela morreu, eu venho aqui sempre ver se, sei lá, só ver. Te ajudei a plantar aquela árvore por que eu já tenho jeito com árvores, sou quase um jardineiro. – Eu queria falar alguma coisa, mas, não consegui. A mãe dele era um assunto que me deixava vulnerável, sem palavras, eu só queria, sei lá, segurar a mão dele e não soltar, só pra ele ver que não ta tão sozinho quanto acha. Mas, era o Justin, ele sabia que não tava sozinho, por que ele sempre tinha muitos amigos e namoradas pra lembrar. Me contentei.
- É uma árvore bem bonita.
- Ela que escolheu.
- Imagino, tu só tem bom gosto pra querer minha amizade, por que pra namoradas mesmo…
- Você fica fofinha com ciúmes, assim, eu acho.
- Mais fofinha ainda eu fico metendo o pé na sua cara, eu não sinto ciúmes, graças a Deus sou imune a isso.
- Imagino. – Ele falou num tom de ironia.
- Idiota. A gente já pode ir né?
- É por que acho que já vai cho… – E não deu tempo nem de ele completar a frase, o céu desabou sobre a nossa cabeça, ótimo, eu tava de short e ia morrer congelada, e ele tava certo sobre a chuva.
- Corre! – E sem a menor intenção o puxei pra de baixo da árvore que ele tava me mostrando, que era bem grande e cheia, a água não pegava na gente, pelo menos não tanto.
- Ela ficava aqui em baixo quando chovia também, sem medo dos raios e trovões.
- Você devia ser corajoso como ela.
- Aprendi que os corajosos não duram muito… – Ta, eu sei que sou uma burra, mas, abracei ele, eu precisava abraçar.
- Não fica assim, o ouro só fica puro depois que passa pelo fogo, e o diamante bonito quando é feito sobre pressão, é só uma fase. Eu sei que ela quer te ver bem, e eu te detesto, mas, não faz essa cara.
- Me solta Ma, obrigada, mas, essas coisas me dão nostalgia, náuseas, eu não gosto muito de sentimentos.
- Eu solto, pode continuar com esse seu medo de enfrentar as coisas, inclusive a chuva, eu e a chéri estamos indo.
- Pera Ma, volta aqui. – E ele veio correndo e me puxou pelo braço, que saco. 


Com você eu consigo voar- Cap. 11

Cheguei em casa e senti uma vontade absurda de tocar violão, isso só acontecia quando eu tava feliz, mas, preferi pensar que era só falta do que fazer mesmo. Minha mãe me ligou pra avisar que chegaria tarde, pensei em ver filme de terror, mas sou muito cagona pra isso, apesar de ter TV a cabo aqui em casa, não gostei de absolutamente nada do que tinha na TV. Coloquei uma roupa quentinha, por que o frio não dava trégua, e fui numa locadora. É bem no final da rua, depois dos prédios e da última casa, me apressei. Liguei lá pra conferir se tava aberta, por que com minha sorte, era bem capaz de não estar. Descobri que era uma locadora 24 horas, que eficiente. Aluguei “se ela eu danço” 1, 2 e 3. Tava numa promoção e tal, e são os meus favoritos, por que sempre tem aquele filme que a gente não cansa de ver. Comprei uma pipoca de micro-ondas, daquelas com manteiga de cinema, pra que melhor? Fiz um chocolate quente, não era o mesmo sem a Mari, mas, eu tentei. Me esparramei no sofá, achei a melhor posição e quando eu dei play, a campainha tocou.
- JÁ VAI! – Todas as pessoas normais olham primeiro quem é, e depois abrem a porta, depois desse dia eu realmente aprendi a o fazer.
- Oi Ma…
 - Cara, a gente se viu não tem nem trinta minutos, que foi?
- É que eu vi você passando em frente a minha casa correndo, só queria saber se ta tudo bem, sei lá, o carro da sua mãe não ta ai, supus que ela não tava em casa… De qualquer jeito, ta tudo bem?
- Me senti espionada agora – ri desconcertada.
- É que você é mulherzinha demais pra ficar sozinha – Quando ele disse isso fez um barulho MUITO alto de trovão, pela primeira vez vi uma pessoa mudar de cor em segundos. Ele ficou amarelo, parecia que ia desmaiar.
- Tu tem medo de chuva?
- Claro que não, qual o seu problema? Só não curto esses raios, sei lá, parece que vai cair alguma coisa em mim.
- Bom, no momento, a única coisa que pode cair em você é água.
- Por falar em água, me da um copo d’água?
- Já experimentou abrir a boca e virar o rosto pra cima? – Abri a porta e fui em direção à cozinha, ele veio atrás de intrometido que é, e ficou observando minha casa que nem um estranho.
- Legal aqui.
- Também acho, mas, não tem muito a minha cara, é executivo demais.
- Sua mãe que escolheu? – Assenti com a cabeça. Outro trovão, mas, esse veio com um raio que clareou a casa toda, foi muito estranho. O Justin suspirou, meio nervoso, eu ri e ele sabia o por que da minha risada, e riu também.
- Quando eu era pequena tinha medo de raios também, mas, depois meu pai me disse que eles não iam me machucar, acreditei.
- Quando eu era pequeno meu pai viajou e me esqueceu, tava chovendo muito, um raio bateu na árvore que tinha no meu jardim, e ela caiu na direção do meu quarto. Levei uns pontos por causa do vidro que voou longe, e até hoje não sou fã de raios e nem de trovões.
- Como seu pai te esqueceu?
- Geralmente minha mãe lembrava das crianças e meu pai de regular o carro quando a gente ia viajar, depois que ela morreu ele ficou meio perdido.
- Deve ser difícil pra ele também…
- Deve ser, mas, se é ele não mostra, a gente não se bate muito sabe?
- Eu também não era muito fã da minha mãe, mas, percebi que isso era por que nós éramos completamente iguais, vai ver é esse teu problema com seu pai. Mas, qualquer dia desses, vocês vão sentar e rir das coisas.
- Você fala como se me conhecesse… – Ele riu e depois se contentou.
- Eu conheço. Não você, mas, o seu tipo.
- E que “tipo” é esse?
- Que não se apega, que manda todo mundo pra merda e que só liga pras próprias vontades, tem mil colegas, porém, nenhum amigo. Sente falta do que não tem, e pra não sentir saudade, prefere não ter as coisas, e nem pessoas, por que acha que elas sempre vão embora. E você desconta suas frustrações no mundo, e bebe o dia todo pra não se prender em uma linha de raciocínio que te leve a refletir. E quando você já ta cansado de tanta ressaca, fuma, mas, você nem gosta de cigarro, é só por que dizem que acalma. No final da noite, quando tu deita pra dormir, percebe que não é diferente de ninguém, exceto por ser mais babaca, e sente vontade de mudar, mas, seu ego te acomoda, e você se recusa a sair da sua zona de conforto. Acertei?
- Não. – Eu tinha acertado, por que ele ficou pensativo por uns cinco minutos, depois voltou a rir e fazer graça de tudo, tão Justin.
- Então, você já bebeu a jarra de água praticamente toda, já pode ir né?
- Eu já te disse que amo pipoca?
- E eu já te disse que sou egoísta? E que não gosto de você?
- Que filme é esse? – Ele sentou no sofá como se estivesse em casa.
- SAI DAQUI, gente, como você é chato e entrosado! Qual parte do colegas você não entendeu? Ainda não quero ser sua amiga. – Começou a trovejar com muita frequência, até eu tava ficando assustada, chuva sempre me deu um medinho interno.
- Você disse que eu só tenho colegas, e eu costumo a ir sempre na casa deles. Deixa eu ver o filme com você, daí se hoje for muito chato e você perceber que eu sou insuportavelmente insuportável, eu aceito a condição de colegas e não te perturbo mais, combinado?
- Combinado, mas, com uma condição.
- Qual?
- Se durante o filme você abrir a boca, encher o meu saco ou comer minha pipoca, você ta fora.
- A parte da pipoca é sacanagem.
- Ta, pode comer a pipoca, mas, silêncio, ok? E nada de ir comentar sobre isso com seus amiguinhos, só to sendo agradável com o seu medo de chuva.
- Babaca. – Ri e dei play, assistimos os dois primeiros com muito vigor, mas, na metade do terceiro já tava muito tarde, e eu derrotada morrendo de sono. Acordei com a televisão desligada, com uma coberta fofinha em cima de mim, e um bilhetinho na tela do meu celular, tipo esses lembretes que dizia: “Você dormiu, então, não vi problema em comer o resto da pipoca. Você perdeu a parte que eles dançam, fraca. Sua mãe ligou, mas, não atendi, ai ela deixou uma mensagem na secretária avisando que já tava chegando. Pra você ver o quanto eu sou legal, tranquei a porta e pulei a janela, não quero que você seja sequestrada. Boa noite, e até que não foi tão horrível assim.”. Confesso que tinha sido legal, a gente brigava mais do que ria, mas, eu me diverti. Sabia que ele ia acabar com minha pipoca, esses meninos gordos de espírito são um problema. Eu ia subir pro meu quarto, mas, o sofá tava lindo. Acordei com um beijinho da minha mãe, mas, nem abri os olhos.  O feriado tava interessante, e eu nunca pensei que um dia diria isso, mas, até que não foi tão ruim assim conhecer o Justin e todos os defeitos dele


terça-feira, 30 de abril de 2013

Com você eu consigo voar. - Cap. 10

O resto da tarde foi bem normal, conversei com umas amigas por vídeo conferência, e com o meu pai também, e confesso que isso me deixou com um pouquinho de saudade até dos dias de briga do ano passado. Respirei fundo e bola pra frente, mudanças são coisas legais, por mais que às vezes não pareçam. De noitinha o Felipe passou lá em casa, ele disse que o pai dele tinha chegado, fiquei meio tensa por que ele me chamou pra conhecê-lo, mas, fui.
- Boa noite, senhor.
- Boa noite senhorita.  – E ele riu, o mesmo sorrisinho do Felipe, e fez com que ele me parecesse familiar.
- É um prazer te conhecer, Felipe fala bastante de você.
- Que mentira Ma, eu nunca falo dele.
- Então, como eu tava falando com o seu pai…
- Obrigada pela defesa Maria Alice. – O pai dele suspirou.
- Só Ma, por favor.
- Combinado, mas, só se você esquecer a parte do senhor ok?
- Fechou.
A mãe dele tinha pedido comida dessa vez, certeza, tava muito bom. Nós jantamos, assisti o pai do Fe dar uma surra nele no videogame e depois ele me deixou ganhar. Vou esfregar isso na cara do Felipe sim ou claro? Exatamente; claro que sim. Nós rimos bastante, tanto o Felipe quanto o pai dele eram gente boa e engraçados, o pai dele falou umas coisas em relação ao ele ter bom gosto e eu torci pra ele não achar que existia possibilidade de nós termos alguma ligação exceto as que acontecem pelo celular. O Fe foi me levar em casa e eu vi o pai dele espiando pela janela, que feio, porém, engraçado, parecia que ele era a garotinha. Ele pediu desculpa pelo constrangimento e eu disse que só precisava agradecer por que aquela noite tinha sido incrível. Lavei o rosto, deitei e dormi, o dia tinha sido cheio.
- Ma, acorda, ta chovendo e hoje a mãe do Felipe vai levar vocês dois na escola, corre!
- Ta mãe, já vai. – No mínimo a mãe dele ia levar a gente numa canoa né? Por que não tava chovendo, estava acontecendo um dilúvio e minha mãe tinha tentado ser básica. Me arrumei literalmente correndo, coloquei um casaco pesado e uma capa de chuva, e adivinhem? Eu tava gripada. Eu, no mínimo, ia socar a cara do Justin por aquele banho que ele me deu. Entrei correndo no carro e chegamos super rápido na escola, desci correndo por que se eu pegasse mais uma gota de chuva minha gripe não iria agradecer.
- Bom dia Justin, só queria agradecer pelo banho de ontem viu? Tem uma terra que não sai do meu uniforme e eu to gripada.
- Eu te falei pra fechar a janela do banheiro Ma, tomar banho quente com a janela aberta não faz bem. E quanto a terra, eu te disse pra não tirar a roupa no jardim, pra deixar o uniforme pelo menos na sala, por que no jardim ia sujar, mas, você não me ouviu né…
- Você ta possuído?
- Vai dizer que você se esqueceu do nosso banho?
- Vai se foder. Espero que alguém te atropele, ou que batam no seu carro, e que você morra de pneumonia.
- Também adoro você, amor. – Ri um sorriso que mandava ele ir pra merda e sai andando, babaca, ele sabia que eu tinha falado do banho que ele me deu com o carro, mas, confesso que a piada foi bem pensada. Não tinha ninguém por perto pra ouvir, foi uma piadinha bem interna, mas foi ridículo.
- Bom dia nova preferida do meu pai!
- Bom dia ciúme.
- Não é ciúmes, mas, ele falou com você mais vezes do que falou comigo em uma vida toda…
- Também, tu é um porre.
- Cala a boca! Ma, adivinha?
- Eu não.
- Tosca! Então. Vai ter um acampamento do pessoal da minha família, vai ser nesse feriado agora, durante uma semana, eu vou ter que ir, quer ir comigo?
- Não, apesar de que eu sei que vai ser super legal, eu não posso. Não quero deixar minha mãe sozinha e tal.
- Tudo bem, mas, se prepara pra ficar uma semana sem mim.
- Nossa, vai ser realmente tão difícil, nem sei como sobrevivi até hoje…
- RA RA RA. Eu sei que você vai sentir saudade.
- Talvez. – Ele riu e a gente fez um teste que o professor tinha passado, uns deveres, conversamos mais um pouco, e hoje, finalmente, o dia tinha passado bem rápido. Na hora de ir embora nós fomos, e como o feriado iria emendar, eu não tinha mais aula essa semana. Adivinha quem estou mais do que feliz? Pois é. Ajudei Felipe a arrumar a mochila que ele ia levar pra viagenzinha dele e ele me ajudou a lavar a louça, nada mais justo. Ele foi com os pais dele e eu fiquei, seria deprimente se eu não tivesse uma lista de filmes e lugares pra ir. Fui no centro da cidade, num restaurante que tinha todo tipo de comida de todos os lugares do mundo, achei bem interessante e entrei, parecia um shopping de tão grande. Fui na parte japonesa, confesso que não resisto, mas, me arrependi.
- Pelo visto quem ta me seguindo é você né Ma?
- Sem sonhar, Justin
- Senta ai, você não vai achar muito lugar pra sentar.
- Eu não, você é muito letal. Em menos de um mês já consegui uma gripe e um uniforme manchado graças a você, Deus que me livre de mais um dano. – tive que rir.
- Prometo não te machucar.
- Vou acreditar só por que não tem mais lugar mesmo pra sentar.
- E eu vou acreditar só por que discutir com você me da preguiça.
- Blablabla, em fim, quero um hot Filadélfia.
- Então pede.
- Que babaca você.
- Que mimada você.
- Oi, moço, você pode me trazer uma porção de hot Filadélfia?
- Claro, algo mais?
- Traz um suco de maracujá pra ela também, pra ver se essa raivinha some.
- Traz uma faca pra gente ver se o Justin some também ta?
-  Mais alguma coisa senhores? – A gente riu, tadinho do garçom.
- Só isso. – Falamos ao mesmo tempo.
Nós comemos, brigamos, bebemos, brigamos, brigamos, brigamos, rimos, brigamos e ele me levou em casa.
- Obrigada por hoje, acho que eu não ria tanto assim desde quando me mudei.
- Obrigada também, só não se apaixona ta?
- Vou me esforçar bastante, obrigada pela dica.
- Sério?
- Claro que não – ri descontroladamente – não me apaixono, muito menos por pessoas que nem você. Desculpa te decepcionar.
- Combinado então, só amigos, sem mais.
- Colegas, ainda não me convenci de que te quero como amigo.
- Como você quiser, daqui a pouco você não vai viver sem mim.
- Só quando você se chamar oxigênio meu bem.
- Se cuida mal criada.
- Eu sempre me cuido, iludido.
Achei que a noite sem o Fe seria uma merda, confesso, mas, mais uma vez, fui surpreendida. Além de mudanças, há surpresas que vem pro bem também, assim eu espero.


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Chegando no aeroporto eu vi a Roberta a mulher que iria nos levar para Disney, ela estava nos entregando as camisas que serviram como uniforme. Despedi do meus pais e do meu irmão que na verdade estava mto mal porque a Mariana estava ali, e vocês sabem o porque... Entramos para a sala de embarque e ficamos ali todos conversando e simplismente eu reparei que a Camila estava com um olhar muito tenebroso para a Mariana e eu já não estava mais aguentando isso, até que chamou o nosso voo e dei glória, entramos e no sentamos foi eu e a Camila, a Duda com o Carlos que é um dos trigêmios. Vou contar uma coisa para vocês a Duda gosta dele e ele dela só que tipo acho que eles ainda não descobriram isso, e se alguém pergunta para ela sobre como esta indo os dois ou se eles tem algo ela chinga demais, então se algum dia você a encontrar não toque no assunto. hehe'
Eu e a Camila ficamos ali conversando.
[...]
Chegamos em Belo Horizonte 10 horas da manhã, nós vamos comer algo no aeroporto e esperar o nosso avião para o Rio de Janeiro. Ficamos ali conversando até que vi os Trigêmios vindo até nós e eu amo o Dudu ele é loirinho, dos olhos claros meio cor de mel e magro alto e da nossa idade.
-Oi meninas. - disse o Joao
-Oi
-Então podemos nos sentar?(João)
-Claro - eu disse me arredando para que desse espaço para que eles puxassem as cadeiras.
-Bom o que vocês esperam dessa viagem?? (Dudu)
-Esquecer os problemas e divertir demais. (Camila)
-Quais seria os problemas? (João)
-Não é nada, são problemas normais. - eu disse balançando a cabeça para ele, como se fosse para ele ficar quieto.
Se passou 1 hora... Até que chamara nosso voo para o RJ, nós embarcamos. Dessa vez vamos nós três juntas no avião os Tri atrás de nós, o avião decolou e nós ficamos coversando e brincando muito seria somente 2 horas de viagem. Chegamos, agora iremo pegar um avião ate Miame...
[...]
Depois de chegarmos em Miame, pegamos um onibus e fomos para Orlando e ficamos em um hotel em dentro da Universal. LINDO!!!! No quarto ficou eu, Duda, Camila e Jhennifer uma menina mais nova do que nós mais gente boa, pelo menos isso. Fomos para o quarto, nem desfizemos nossas malas e já fomos dar uma andada pelo hotel, fomos descobrir em que andar os meninos estavam mais a Roberta nem os Guias podiam saber que estavamos no andar dos meninos, mais agora é saber o andar dos meninos. Fomos até a recepção:

-Oi nós queriamos saber qual o andar dos meninos é porque a o Igor (um dos Guias) pediu para que entregassemos uma blusa do turismo para um deles. - eu disse
-Claro
-No 4° andar - nossa foi mais fácil que eu pensava

Fomos até lá, agora qual será o quarto? Passamos por todas as portas tentando escutar algo para ver se reconheciamos a voz de alguém, até que escutamos "Aí Caralho para com isso" ta esse foi o Carlos e daí escutei uma frenetica risada que realmente era do Eduardo, batemos na porta:
-Ahhh  que vocês fazem aki?? (Carlos) estava só de cueca
-Shiiiu - fui epurrando a porta e entrando, não estava nem ai
-Sério, o que vocês estão fazendo??
-A porra do Eduardo jogou água em mim em quanto eu tirava uma soneca. - (João)
-Haa pensei que estivsse molhado porque estava batendo uma punheta legal ai.-disse eu zuando da cara dele
-kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk - riu o Carlos e o Dudu
-ha ha ha você é muito engraçada
-Eu sei

Continua

Eu sei que esse capítulo ficou a verdadeira bosta mais é porque estou sem tempo, prvas, trabalhos, treinando mtuio para a natação (é eu fasso parte da equipe de competição da minha cidade)  e talls mais espero que me perdoem....
Ana Laura aki.... s2s2s2s2

 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Com você eu consigo voar. - Cap. 9

Eu já não sabia que dia era, só consigo saber o dia do mês e o da semana no início do ano, depois só lembro vagamente dos horários e olhe lá. Tava chovendo bem forte do lado de fora da escola, o Felipe disse que hoje eram dois horários seguidos de história e que nós iríamos pro auditório ver filme com a professora Janne, uma baixinha fofinha que fazia a sociedade grega ser menos chata. Nós fomos pra uma sala enorme, com um ar condicionado pronto pra me matar congelada e com um puta telão pra assistir Tróia. To tão animada que vou até dormir os dois horários, só pra não perder a fama. Acho que tinha umas trinta turmas de ensino médio lá, uma bosta, todas as panelinhas se formaram e sobraram três lugares. Claro que a Maria Alice tinha que ficar sentada entre o Justin e Felipe, por que ela foi a menina que descarregou um caminhão de pedras na cruz.
- Você se importa que eu sente aqui? Por que se for pra tu ficar com essa cara de cu eu sente no chão. – Suave como um ralador de queijo, Justin e seu jeito babaca que te faz ceder sem que você perceba.
- Eu nem vi que você tava ai e obrigada pela "cara de cu", mas, infelizmente não era por você… Não sou muito fã de ar condicionado mesmo.
- Ah, de qualquer forma, não quero incomodar.
- Você não incomoda e nem desincomoda, tanto faz, só faz silêncio pra eu dormir.
- Desincomoda?
- Daí você diz silêncio e o seu coleguinha ouve "puxa assunto comigo", tchau.
- Ma, má.
- Cheguei!
- Oi Fedredor
- Eu não perdi, e detestei esse apelido.
- Problema seu né, agora me da esse casaco e me empresta seu ombro. –  Encostei a cabeça no obro dele, tentei encolher minhas pernas ao máximo pra não encostar no encosto que tava na ponta do banco, mas, ele foi um tanto quanto convidativo. Jogou algum pano, que eu suspeito ser um casaco, muito fofinho sobre a minha perna, e eu ia olhar, ou tirar de mim, mas, foi inevitável não me sentir bem. Frio com cobertinhas é tipo sábado de manhã, não consigo resistir. Acordei em umas três partes do filme, porém, ficar deitada tava mais interessante. Tentei escutar o que o Felipe e o Justin estavam cochichando, mas, não consegui. Eu ia perguntar depois o que era, mas, fiquei com medo de ter sido sonho, pois é, o sono tava pesado mesmo. Quando o filme acabou eles ligaram a luz e eu me senti um vampiro exposto ao sol, não, eu não brilhei, ardeu mesmo. Fui pra sala em seguida, era aula de educação física, que sonho. Sentei na arquibancada e fiquei procurando um motivo pra ter um bando de homens correndo atrás de um bola e umas meninas por perto fazendo cara de comercial de cerveja, de qualquer jeito, ignorei. Fiquei ouvindo música, contando quantas bolinhas tinham na quadra, pensando na morte da bezerra, sei lá, qualquer coisa até que aula acabasse. Pra minha sorte, acabou, porém, ainda tinham mais umas. Eu e o Fe discutimos uns assuntos super importantes, tipo o crescimento do meu cabelo e a barba dele. Na hora da saída ele disse que precisava resolver umas coisas e que me encontrava de noite, ótimo, fui andando sozinha no maior temporal.
- Ma, você vai pra casa andando nessa chuva?
- Não, vou esperar a próxima.
- Porra guria, to tentando ser educado.
- Desculpa, eu nem consigo tentar essas coisas. – Ri um riso filho da puta, ele sabia que eu era assim, não entendi a sensibilidade.
- Ridícula. – Ele riu.
- Aham, ta, to indo viu? Tchau. – Fui andando até que um mal comido passou com a carro e me deu um banho, eu ficaria tranquila se fosse qualquer mal comido, mas, era o babaca do Justin
- EU VOU MATAR VOCÊ!
- Só se for de amor né.
- Filho da puta! Sai daqui.
- Entra logo nesse carro, você ta ensopada e agora ta suja, você vai pegar uma pneumonia.
- Azar o meu né. – Então ele desceu do carro e veio andando na minha direção.
- O que tu ta fazendo?
- Se você quer ficar doente, também vou ficar, até sua birra passar.
- Burro, tu vai deixar o carro parado no meio da rua nessa chuva?
- Não, vou esperar a próxima também pra deixar.
- RA RA RA, por que você não coloca uma melancia na cabeça e fala que é a Carmen Miranda?  Vai ser bem mais engraçado do que essas piadinhas.
- Ma, pela milésima vez, acho que a gente começou errado.
- Exatamente! É por que a gente não devia ter começado. Você me deixa na defensiva, e desconfortável, para com essa mania de ficar me seguindo.
- Justin. –Ele estendeu a mão num ato insistente de se reapresentar, e fez cara feia e dura, tipo de criança fingindo que é do mal.
- Maria Alice, e você não pode mais me chamar de Ma, por que Ma é pros íntimos e não quero intimidade com você.
- Posso te levar em casa? Ou você prefere que nós dois fiquemos doentes e que um carro bata no meu e cause um acidente só por que você é orgulhosa?
- Chantagista. Espero que você saiba que é só pelo acidente, por que você ficar doente é puro merecimento.
- Como você quiser Maria Alice.
- Ta, pode chamar de Ma, o nome Maria parece uma briga.
- Então você desistiu de brigar?
- É só uma trégua por que você é um babaca que estaciona o carro no meio da rua e eu não quero sentir remorso. – Fui em direção ao carro, ele tentou abrir a porta pra mim, mas, aquilo não precisava ser mais ridículo do que já era, o empurrei e abri o carro sozinha. Liguei o som e eu bem que queria mudar a rádio, mas, ele tava ouvindo missy higgins, e fazia séculos que eu não escutava aquela música. Where I stood, boa. Comecei a cantar baixinho e ele ficou batendo o dedo no volante no ritmo da música, então eu tive que perguntar.
- Você gosta desse tipo de música?
- Não, é, que, é, ah, você sabe, a voz não é tão ruim, e a melodia também não, mas, esse cd nem é meu, é, pois é. – Ta, o cd era dele e ele gostava, eu ri pra ele perceber que eu tava rindo e ele ficou sem graça… Seria bonitinho, mas, vindo dele, era ridículo.
- Chegamos. – Ele me olhou com uma cara suave.
- Vai querer me levar na porta também?
- Eu não, ta frio pra caralho e o céu ta caindo, tenho certeza que você pode nadar até a porta, qualquer coisa se prende na nossa, quer dizer, sua árvore e espera seu namorado chegar.
- Essa árvore é só minha.
- A provocação era em relação ao namorado… Contigo é tudo ao contrário mesmo né?
- Todo mundo sabe que ele não é meu namorado, se você quer chamar ele assim, foda-se, quando tu pagar minhas contas a gente conversa sobre a minha prestação de detalhes da vida pessoal.
- Ui, sem ficar bravinha.
- Obrigada pela carona ok? Minha árvore, sem namorados e para de me olhar com essa cara.
- Que cara?
- A cara de “você fica linda brigando”
- Mas você fica horrível, enfim, tchau Ma. – Ele riu como se tivesse graça, babaca, o pior é que tinha. Sai do carro e bati a porta o mais forte que eu pude, foi um bom troco.
- PORRA, TU NÃO TEM GELADEIRA EM CASA NÃO? – Ele gritou pelo vidro da janela. Mandei um beijo e ele me deu dedo, o dia já tinha valido só por eu ter visto aquela cara de “vou te matar” dele. Entrei, me torci na varanda, andei pela sala e fui tirando a roupa, subi correndo pro quarto e tomei um banho bem quentinho, nada melhor do que não fazer nada, exceto quando sua cabeça quer pensar e pensar.