quinta-feira, 13 de junho de 2013

IFMDID Cp. 5




[...]
Acordei eram 7 horas da manhã. Levantei cambaleando e fui até o banheiro, passei a mão em meus lábios e comecei a lembrar da noite passado, parecia ser inacreditável eu passei a noite com o meu ídolo, cara eu beijei o Justin Bieber a pessoa que eu somente desejava um abraço e agora estou praticamente ficando ele. Poxa vida!!
Duda me chamou me fazendo despertar de meus pensamentos:
-Nega, o que está a pensar?
-Em ontem.
-Aêêê você foi ontem a noite com o Justin para o quarto depois daquele beijo e tbm deu aquele beijo na saída. Acho que está rolando algo.
-Aí meu Deus é o meu ídolo, não acredito que eu beijei ele.
-Ele está apaixonado por você.
-Acho que não. Foi só um beijo ele pode ter qualquer uma.
-Não sei não eim?
-Af da licença que tenho que trocar de roupa.

Saí dali já não aguentando mais. Me troquei, chamei a Camila que ainda dormia. Ela se levantou pegou um suco no freezer e me olhou e começou a rir:
-Af nem começa Camila
-Noooossa já sabe até o que eu ia flr.
-Para neh, a Duda já me encheu o saco.

Duda saiu já arrumada, Camila entrou para banheiro e se aprontou em menos de 15 minutos...
Tínhamos que sai 8:30 e já era 8 horas, chegamos na recepção e não havia ninguém lá, então sentamos na sala de espera e ficamos ali conversando até que os meninos chegam e sentam com nós.
Conversamos muito.
-LAURA - escutei alguém me gritando, olhei para trás e era o Justin
-Oi Juss
-Ta linda
-Obrigado
-Nossa também gosta de Supras?
-Aprendi a gostar com você.
-hahahahaha nooossa, aqui tenho um convite a te fazer
-Fala
-Então hoje a noite vai ter uma premiação para eu ir, ta afim de ir juntos comigo?
-Nossa até que estou mais nem sei se a Renata vai deixar.
-Ela já deixou
-Sériooo?
-Ahm
-Que legal.
-Então passo no seu quarto as 18 horas?
-Pode ser. - ele piscou para mim e me abraçou

Ta, deixa eu raciocinar eu vou ir em uma premiação com meu ídolo. CARACAA É ISSO MESMO!!

-Que sorriso é esse? - disse que a Camiila
-Vou em uma premiação hoje com o Justin.
-Como assim? - disse o Dudu assustado
-EU VOU EM UMA PREMIAÇÃO COM O MEU ÍDOLO.
-Não precisa gritar.
-Não é o que  parece.
-Nossa acordou com que pé hoje?
-Af menino me erra

Ficamos conversando mais um pouco e talls até que a Renata chega e nós vamos para o ônibus.

Continua ...

domingo, 19 de maio de 2013

IFMDID-Cp-4

-Vou caçar mais um milhão de vaga-lumes por aí,  só pra te ver sorrir
posso colorir o céu de outra cor-

Justin P.O.V
Nossa hoje minha noite foi perfeita, conheci 3 brasileira 2 delas Beliebers, todas bonitas mais somente uma me encantou a LAURA. Que menina linda, ela é toda perfeita, sorriso, olhos, boca, o corpo que já é de origem Brasileira e aquele jeito simpático de conversar comigo, de se interessar se estou bem.
Eu não podia perder oportunidade de conhece-la, então chamei ela e as amigas dela para a festinha mais não sei se ela vem, já que elas vão em outra festinha com uns meninos que nem conheço. Sera que ela tem namorado? Será que é um deles? Tomara que não, porque eu vou lutar pelo o amor dela, e se for ele vai sofrer, não que eu sege mal mais quando eu olhei para ela não foi tipo um olhar normal, não foi o mesmo que olhei com as minhas ex, com as minhas fãs foi como se nos encontrasse depois de muito tempo perdido tipo, uma vida perdida no passa foi como se agente já se conhecesse, como se eu tivesse a procurando sem saber. Foi estranho!! Bom eu vou me arrumar, tomei meu banho e me arrumei.


Estou muito SWAG! Como ela é Belieber com certeza ela vai gostar.
[...]
Já era 10 horas e nada dela chegar já estava desistindo dela vir, estou tão desanimado que vou sentar aqui vou seguir alguma Beliebers no Twitter vou dar umas Tuitadas aqui. Fiquei ali. A hora passou já são 11 horas e nada. Estava desligando  celular quando escuto alguém gritando comigo, quando olho para cima... era ela. Nossa ela esta linda, como sempre. 
- OIII JUSTIN BIEBER
-Percebi - ela deu um lindo sorriso.
Quando ela olhou para trás ela viu que suas amigas já estavam dançando e disse:
-Nossa elas são rápidas.
-Nós também podíamos.
-Ham? - nossa que bosta disse alto demais, com certeza ela escutou
-Nada... Er vamos dançar? - estendi a mão para ela guardando o celular no bolso
-Já acabou o que estava fazendo?
-Claro. - ela segurou em minhas mãos.
Ficamos coladinhos e não aguentava mais e a puxei para um beijo que se resume em uma palavra APAIXONANTE. 

Laura P.O.V

Como assim ele me beijou? Aí Meu Deus, estava muito bom, o beijo dele é muito calmo e doce. Quando paramos todos nos olhavam e aplaudindo.


Eu realmente fiquei muito sem graça pois todos aplaudiam, alguns assoviavam para piorar. Justin me puxou pelo braço e eu realmente não sabia onde ele estava me levando. Chegamos no seu quarto:
-Senta por favor. - me sentei mais não falei nada. - me desculpa por aquilo lá na sala, eu não aguentei.
-Hm. Não aguentou o que?
-Talvez sege sedo para dizer que te amo, então eu vou dizer que estou gostando de você. O que vou te dizer aqui, talvez você poxa achar muito clichê mais quando te vi eu realmente pensei ela é a garota para mim, é como se eu te conhecesse a muito tempo de outra vida, sei lá. O seu namorado vai te perder para mim.
-Meu o que??
-Namorado, quele que estava lá na porta do hotel
-Ele não é meu namorado, somente meu amigo. Então eu tbm sinto a mesma coisa por você e eu não posso falar que eu sinto que eu te conheço mais tempo, pq eu conheço a basicamente 5 anos, mais eu sinto a mesma coisa.
-Nossa você não sabe como fico aliviado a com isso. - olhei as horas e já era 12 noite
-Bom eu queria ficar mais, mas tenho que acordar cedo amanha.
-Te levo até a porta. - chegando lá chamei as meninas
-Amanha quero te ver. - me puxou para um beijo

E minha noite terminou com esse beijo.

Continua

sábado, 18 de maio de 2013

IFMDID - Cp 3


-Um sorriso vale mais que mil palavras-


-Nossa convencida também...
-Ta, mudando de assunto... Er hoje agente vai ter o dia livre apartir das 7 da noite e as meninas dos outros quartos vai tudo juntar no quarto da Mariana para fazer festinha, que ta nós fazermos a nossa?? - eu disse bem animada.
-Claro. - (Dudu)
-A Roberta deixou nór irmos na vendinha do hote comprarmos as coisas, nós podemos ir vocês ficam?? (Camila)
-Pode ser, ai agente faaqui mesmo e arruma as coisas, porque nem terminamos de guardar nossas coisas. (João)
-Ta bom. - nós meninas dissemos saindo do quato deles.
Fomos para o nosso quarto mais a pequena nem estava lá, deve ter ido encontrar com as amigas dela. Tomamos um e colocamos uma roupa bem simples, já que só iriamos comprar as coisas. Descemos até o saguão e perguntamos ao porteiro onde era, ele nos indicou mais mesmo assim ficamos meio perdidas é muito grande hehe'. Compramos copos, refri, salgadinhos, doces e algumas outras coisas.
Quando nós vamos para o caixa do de cara com o cara muito bonito, mais ele tinha cara de ser maior de idade e bem bonito mais eu só o vi de costas, quando ele olha para trás quem era??????? RYAN GOOD isso mesmo o estilisa do Justin Bieber, a Camila começou a me cutucar e falar:
-Laura é ele, o Ryan
-É eu sei.... Espera aí ele esta no mesmo hotel que agente. HAAAAAA - ele olhou para atras depois do meu grito super escandoloso
-Oi meninas.
-Meu Deus o estilista do nosso idolo falou com agente... - eu disse
-Você são Beliebers?
-Sim menos ela. - disse a Camila apontando para a Duda.
-Ata, vocês estão hospedadas aqui?
-Sim. - nós respondemos.
-Vou contar um segredo para vocês. Sabe aquele carro ali? - assentimos com a cabeça - então ele é meu e o JB está la.
-SÉRIO?????
-Sim, vocês querem que eu leve vocês lá?? - sorrimos dizendo que sim.
Pagamos nossas coisas e fomos caminhando até o tal carro, quando Ryan abre a porta o Justin nos olha com o lindo sorriso. Imprensão minha ou ele esta me secando? Ahh deixa isso para lá eu quero mesmo é abraça-lo, ele desceu do carro, nos abraçou de autografos tirou fotos com nós e falou:
-Nossa vocês não são daqui não neh??
-Não como você sabe?- eu disse
-A beleza e  vocês tem muita cara de brasileiras. Acertei?
-Nuss você é esperto eim. - disse a Duda
-Pensei que você não tinha lingua... - ela riu e nós também
-Não é isso é porque elas são Beliebers e eu só curto suas músicas.
-Minhas música são legais? Qual você mais gosta???
-Eu gosto da música Nothing Like Us e sim suas músicas são legais.
-Que legal hehe'
-Bom garotas agente não pode ficar mais, você querem uma carona? - disse o Ryan entrando no carro
-Espera vocês estão no mesmo hotel que o nosso?? - Justin
-Sim.- nós dissemos
-Gostei disso. - esse menino ta me olhando demais hehe' meu idolo safado
Eles nos chamou para entrar no carro para irmos com eles, daí aceitamos. Fomos conversando, tirando fotos e etc.. (claro nós estavamos dentro do carro com o no ídolo poxa).
Chegando lá os garotos estavam na porta do hotel, eles ainda não haviam nos visto e para ferrar tudo a chata da Roberta estava saindo e indo conversar com os meninos, fudeu! Descemos do carro primeiro, na hora que elas nos viu ela já veio gritando dai na hora que ela viu o Justin ela parou na hora e ficou muito sem graça, já que ele ficou olhando para ela. 
Ela foi o abraçar e ele a abraçou e fez uma cara tipo "Aff neh!! Ta neh!!!!!" eu e as meninas ficamos rindo e os Trigemeos nos olhando com a maior cara de ciúmes, será?? Não, pera... Aff neh porque eu estou pensando nisso? Esqueci isso Laura. Fomos conversar com eles, só que o Justin veio até mim e me puxou:
-Mais tarde apareçam lá na cobertura.
-Pode deixar- eu disse com um lindo sorriso no rosto hehe
-Espero vocês lá. - ele me abraçou e disse - espero principalmente você
Sorri sem graça mais assentido o que ele havia acabado de me falar, velho que isso? Eh neh meu ídolo, bem que podia ficar afim de mim. Ata nem nos meus sonhos.
Fomos até os meninos e eles estavam com a mesma cara de bosta, foda-se. Subimos, mais logo aquela cara de cú deles melhorou. Nos divertimos muito, comemos bastante e talls. Deu umas 11 da noite resolvemos ir embora, eu nem estava lembrado do negocio do Justin. Fomos para o nosso quarto, trocamos de roupa e deitamos, até que eu me lembrei:
-GENTEEEEEE!
-O que? - disse a Duda
-O negocio lá do Justin, vamos?
-Noooossa é mesmo, já havia me esquecido disso hehe - (Camila)
-Vamos?
As duas assentiram, e nos trocamos:

Gatas demais, saimos de nosso quarto pegamos o elevador e quando saimos do de cara com o Ryan Butler que na verdade é um dos melhores amigos do Justin de infância, como eu sempre eu soube que não tenho chances com o Bieber eu sempre fui alucinada no Ry mais não deixava de gostar do Justin, jamais. Ele nos olhou e disse:
-Vocês com certeza são as lindas brasileira que o Justin conheceu.
-É acho que somos nós - eu disse, rindo.
-Bom, venham então. Vou levar vocês até ele. Eu sou o Ryan Butler e vocês? - nos apresentamos 
-Eu sei quem você é a Laura só falava de você.- (Duda) eu olhei para ela tipo "CALA A BOCA" 
-Como assim?
-Nada demais, esqueci... - eu disse extressada
-Hm sei, mais eu ainda irei entender essa história. (Ryan)
-Como eu disse esqueça isso e me leve até o Juss
-Nossa ok, eu te levo.
Ele nos levou até o Bieber.
Justin estava sentado em uma cadeira, mexendo em seu IPhone quase dormindo.
-Oi.... - ele não me respondeu. - OIII JUSTIN BIEBER
-Haaaaa OI, nossa me desculpe estava interdito aqui.
-Percebi. - quando olhei para trás as meninas já estavam dançando com uns caras da equipe mo bonitos. - nossa elas são rápidas.
-Nós também podiamos. - ele disse baixinho mais escutei e mesmo assim perguntei.
-Hãm?
-Nada. Er... vamos dançar?
-Já acabou de fazer o que estava fazendo??
-Claro.
Ele se levantou e me puxou, do nada começou a tocar uma música mo romantica e eu parei e fiquei ali olhando para o Justin. Ele sem mais e sem menos me puxou para dançar, eu escorei meu queixo em seu ombro, logo depois ele me puxou para uma beijo.

 



sábado, 11 de maio de 2013

Com você eu consigo voar - Cap.19

Fui pra escola com o Fe, como eu nunca deveria ter deixado de ter feito, e tive que aguentar as piadinhas.
- Então quer dizer que a Má se apaixona?
- Não sabia que jumento falava.
- Ui ta bravinha? – Disse a Selena.
- Mas que cachorro latia eu já não tinha dúvidas! – Olhei pro Felipe e ri, eu já havia me esquecido de como ele fazia tudo parecer melhor, mesmo sem saber, eu tinha sentido uma saudade enorme dele. Infelizmente a escola não era tão grande como eu desejei que ela fosse, cruzei com o Justin.
- Olha, eu não vou ficar correndo atrás de você pra te explicar o que aconteceu. No começo era uma aposta, pra ser engraçado sabe? Mas depois, porra Ma, você sabe que foi tudo de verdade.
- Eu sei que foi, só não quero ficar perto de alguém que aposta que “me ganha”, mesmo que depois fique feliz por isso. Eu não quero ficar perto de alguém que minta pra mim Justin. Naquela lista de coisas sobre você não tinha mentiroso, e você disse que não iria me desapontar. Eu só to decepcionada, e eu podia sentir muito, mas, exceto pena, eu não sinto nada por você. Por que eu? Eu te ouvi, te abracei, e abracei com o coração. Não menti em nada pra você. Tentei mesmo ser sua amiga, por que eu achei que tu podia ser diferente. E agora? Eu só não quero do meu lado quem um dia vai me fazer quebrar a cara de novo. Volta pra sua cachorrinha e pros seus amiguinhos. Eles são que nem você, eu não. – Sai, o Felipe ficou do meu lado o tempo todo, e depois de ter falado tudo, eu tive que sair correndo, fui pro ginásio da escola e chorei tudo que eu não tinha chorado ontem. Terça-feira, 7 horas da manhã, última cadeira da primeira fileira, e foi aquele o lugar que eu tinha escolhido pra chorar todas as minhas decepções.
- Não chora por isso não…
- Eu to brava comigo sabe Fe? Por que eu sempre soube como ele era, e o que ele fez não me machucou, o que me irrita é a cara de pau dele de ainda tentar se explicar, como se houvesse explicação pra ser filho da puta. – O Justin meu deu a garrafinha de água dele e eu bebi praticamente tudo. Nós matamos as três primeiras aulas ali, depois do intervalo entramos na sala. O professor tinha faltado, mais uma aula livre, até que o dia tava ficando bom.
- Mais um pra te iludir Ma? – A Selena já tava passando dos limites, peguei o copo d’água que tava na minha mão e joguei na cara dela.
- Pra você, queridinha, é Maria Alice Dietrich. Eu não sou sua amiga, nem colega, infelizmente e somente sou sua conhecida. Não me dirige a palavra quando eu não estiver falando com você, e pra dar início a uma ótima campanha da vida, vamos começar cada um cuidando da sua? – Amassei o copo, deixei na mesa dela e assim que eu sentei na minha carteira a sala toda começou a rir. Não achei nada engraçado, então, dividi meu fone com o Felipe e ficamos até a aula seguinte ouvindo Selah Sue, ele até aprendeu a gostar. O Justin me mandou uma mensagem falando que eu tava certa e que ele não iria mais me incomodar, ouvi um amém? O resto da semana foi tranquila, depois do meu papinho com a Selena a turma toda mudou de assunto e finalmente, pro Felipe que não parava de falar disso, tinha chegado o final de semana. Ele foi me buscar em casa antes do sol nascer, fala sério, só fui por que ele implorou a semana toda. Entrei no carro e ele dirigiu até um campo, um campo enorme e lindo, mas, ainda tava tudo escuro. Ele pegou uma cesta que tava cheia de coisas gostosas pra comer e nós entramos numa big cesta, e eu não tava entendendo nada, mas, entendi quando vi aquele fogo e senti que a gente tava saindo do chão. O Felipe tinha ido me levar pra passear de balão, eu me lembro de ter comentado que era o meu sonho, mas, nem percebi que ele tinha prestado atenção.
- Pronta pra ir pro céu? – Ele era a melhor coisa que eu podia ter do meu lado, naquele dia.
- Pronta pra ir pra qualquer lugar com você. Obrigada, tu sabia que andar de balão era o meu sonho. – Ri e segurei a mão dele, eu tava nervosa, acabei tendo que admitir meu medo de altura. Nós comemos uns biscoitinhos que ele disse ter feito, duvidei e impliquei com ele por isso, mas, acabei me dando por vencida. Nós vimos o sol nascer, foi lindo, mas, nem se comparava ao sol que eu vi naquela montanha úmida e sem graça. E era uma merda ter que admitir isso também.
- Ver o sol nascer daqui de cima é lindo né?
- É um sonho!
- Eu trouxe o nosso almoço também, a gente vai descer, andar de barco e depois voltar pra ver o sol indo embora. – O abracei.
- Você é o melhor, sem sombra de dúvidas.
- Eu sei.
- Babaca, era brincadeira, você é podre.
- Sai Ma, não vou te dar uma chance comigo.
- Eu é que não quero nada com você.
- Também te amo emburradinha.
- Sai pra lá.
- Não dá, só se eu pular daqui. – Rimos da piada ridícula, depois voltamos pra terra firme, almoçamos, andamos de barco e subimos de novo. E essa foi a parte em que as coisas ficaram estranhas, graças a mim e minha boca grande.
- Fe, posso te fazer uma pergunta?
- Pode.
- Qual é o seu maior sonho?
- Me formar em arquitetura, construir uma casa foda pra mim e curtir a vida. Por que?
- Nada, só queria saber.
- E os seu? Qual é o seu maior sonho?
- Ser feliz, mas, sem muita coisa sabe? Poder ter uma história incrível de cada dia da minha vida. Quero que cada hora seja única, não sei, quero viver coisas inesquecivelmente lindas.
- Eu amo isso.
- Isso o que?
- O teu modo de sonhar.
- Por quê? É tão comum.
- O sonho da minha ex era ser dona da Chanel.
- Tu namorava um tijolo, não uma guria né.
- Você que é diferente Ma, e é uma diferença boa, linda de verdade. – Fiquei meio sem graça e ele percebeu, foi engraçado ver o jeito que ele tentou contornar pegando chiclete azedo e fazendo uma competição de caretas entre nós dois e o cara do balão.
- Primeira estrela do céu, vamos fazer um pedido?
- Ma, tu acredita mesmo que pode se realizar?
- Acredito!
- Então ok, pode pedir. Mas, pede em voz alta, por que se acontecer, eu vou passar a acreditar também.
- Ok. Eu quero que essa minha mudança de vida seja inesquecível pro lado bom. Sua vez!
- Eu não quero nada, tudo que eu já pedi, acho que agora ta aqui. – Perdi as palavras, o ar e o chão e já tinha perdido há algumas horas. Será que o ciúmes do Fe ativou alguma parte romântica dele? Fiquei confusa. Ele me abraçou e depois, na hora de descer, ele me pegou no colo e me tirou daquela cestinha divertida. Fomos pra casa cantando love song, mas, eu não deixei de pensar no que ele falou. Meus pensamentos entraram em ordem depois que ele começou a implicar e ser o mesmo Felipe de sempre, e tudo se normalizou 100% quando nós jogamos videogame e ele não me deixou ganhar. Só que, de  noite, ele me mandou uma mensagem me chamando de “meu anjo”… Qual era a desses garotos dessa cidade? E eu que me achava bipolar.


terça-feira, 7 de maio de 2013

Com você eu consigo voar- Cap. 18

Acordei com uma mensagem do Felipe, só de ver o nome dele numa mensagem já parecia que estava tudo bem, até eu ler a mensagem. “Tu vai pra escola comigo ou com seu novo amigo?” Eu queria mandar ele ir tomar no cu, mas, eu tava tentando melhorar essa parte de ser grossa, eu tinha prometido pra mim mesma que ia mudar. Respondi “com você Fe, para de besteira, poxa.” Ai quando eu acho que não da pra ficar pior, eu entro naquele período do mês no qual ou eu mato ou eu morro, que ótimo, adoro TPM mesmo. Tomei um banho, vesti aquele uniforme horroroso, me atrasei um pouco, quando olhei pela janela o carro do Justin tava passando a dois por hora na frente da minha casa, juro que dava pra ver até ele olhando pra minha janela, mas, decidi que era coisa da minha cabeça. Desci as escadas e me preparei pra batalha, por que se eu odiava segundas feiras, agora eu ia ter mesmo um motivo pra isso.
- Bom dia Maria Alice.
- Bom dia filha.
- Bom dia mãe. – O Fe ia me chamar de Maria Alice? Ótimo, ele não iria ouvir minha voz. Comi rápido, peguei minha mochila e sai. Bati a porta o mais forte que eu consegui, só pude ouvir minha mãe rindo e falando “você devia ter chamado ela de boa”, claro que ele devia ter me chamado disso, só se fosse pra que quebrar minha mão na cara dele. Eu já tava mal humorada, que sorte a minha e a de qualquer pessoa que me dirigisse a palavra. Eu nunca choro, mas, tem cinco dias do mês que me tiram do sério, exatamente o tempo que dura a bipolaridade da minha TPM.
- Maria Alice, teu cadarço ta desamarrado.
- Sério? Por que você não vai se foder ao invés de ficar olhando pro meu pé? – Ele não tinha direito de ficar bravo comigo só por que eu era amiga de alguém que ele não ia com a cara, nós não tínhamos nada, e Maria Alice era proibido, ele sabia disso.
- Eita porra, que que eu fiz?
- Fica me chamando de Maria Alice, tu sabe que eu não gosto, sabe que… – Comecei a chorar, caralho, eu odeio chorar. Nada me irrita mais do que chorar, e o Felipe ficou tão desesperado que começou a pedir desculpas, me abraçou, amarrou meu cadarço, falou que era ciúmes de amigo, que já ia passar, ficou amarelo, nervoso, tremendo, e eu comecei a rir.
- PORRA CARA, UMA HORA TU CHORA, DEPOIS FICA RINDO, TA QUERENDO ME DEIXAR LOUCO?
- Eu to, to, aliás, essa TPM ta em mim, essa semana vai ser difícil, só pra avisar.
- Mas, pelo amor de Deus, não faz mais isso.
- Isso o que?
- De ficar com o olho grande e morder a boca, depois prender o ar e quando tu não consegue mais, chorar. Só, só não chora mais.
- Eu não tava chorando, é que caiu alguma coisa no meu olho.
- Claro Ma, claro. – A gente chegou na escola mais rápido do que eu queria que a gente chegasse, e assim que eu entrei na sala, o Justin tava lá, agarrado com o poste dele que agora eu sei o nome. Selena. Eu não entendo esse garoto. Um dia quer ser meu amigo, depois me beija, depois somos amigos de novo, depois ele fica bravo comigo por causa do Fe, depois ta de novo com o poste. E eu que sou complicada? Faça-me um favor né.
- Fe, me faz um favor?
- O que?
- Vai na enfermaria e pergunta se tem algum remédio pra cólica.
- Ai Ma, isso é frescura, fala sério.
- Sentir dor quando tu leva um soco no saco também.
- Tu é sempre bem humorada assim?
- Sempre! – Sorri com uma carinha doce de menina meiga.
- Já volto. – ele foi correndo na direção da enfermaria enquanto eu procurava um lugar pra sentar. Como eu sou sortuda, tinha uma cadeira do lado do Justin e outra do lado da mesa do professor. Por um momento considerei sentar perto do professor, mas, eu precisava dormir pra minha dor passar, e ele, com certeza, não iria facilitar. Quando o Fe chegou a turma toda ainda tava de pé, daí ele me deu o remédio e nem percebeu quem ia sentar do meu lado, só falou que ia sentar na frente nessa primeira aula e depois vinha para trás. Assenti com a cabeça. O professor chegou e todo mundo sentou, pro meu azar.
- Não vai sentar perto do seu namorado? – Ignorei – To falando com você Ma.
- Tu sabe que eu não tenho namorado, então, no mínimo, não ta falando comigo.
- Vocês estavam tão íntimos ontem, quando eu passei na frente da sua casa, ele tava até comendo lá.
- Pois é, ele é meu amigo, e até onde eu sei, amigos vão uns nas casas dos outros.
- Vocês querem vir aqui dar aula?
- Na verdade, professor, eu quero que tu saia da minha frente pra eu copiar a explicação, que que tu acha?
- Maria Alice, sai da sala. – FILHO DE UMA PUTA, POR QUE ELE NÃO SAIA DA SALA? NINGUÉM QUERIA ELE ALI. Saí. O Felipe me olhou com uma cara de “por que você fez isso?”, e assim que eu atravessei a porta vi um vulto vindo atrás de mim, e quando olhei, era o Justin.
- Que que tu ta fazendo aqui?
- A gente precisa conversar.
- Sai Justin, eu não quero falar nada com você.
- Mas, Ma, a gente é amigo, e amigos conversam, certo?
- Agora a gente é amigo? Por que ontem quando tu foi embora não pareceu tão meu amigo.
- Eu só tava com, é, com, com calor.
- Calor? – Ri até perder o ar, fala sério, ele já tinha sido melhor em mentir.
- É, calor, ai precisei dar uma volta. Depois encontrei a Selena e meu domingo terminou como todos os outros.
- Que bom pra você né?
- Na verdade, foi mesmo. – Calei, eu não perguntei nada, não queria saber. E não era ciúmes, por que eu não sinto isso, mas, não gostava dessa menina.
- Hm. – Eu tava muito sensível, meu Deus, meu olho tava ardendo por que eu sabia que se eu piscasse minha vontade de não chorar iria por água abaixo. Só que alguém contou isso pro Justin também, ele levantou meu rosto que tava direcionado pro chão e me abraçou. Depois ele ficou olhando pros meus olhos e riu.
- Seu olho fica quase verde quando você chora.
- Eu não to chorando, é alergia a você, me solta. – ri.
- Não. – E ele gargalhou, e depois me abraçou mais forte, e no meio de tanta risada a gente se olhou, e eu esqueci que tava na escola, parecia aquela montanha, e meu sorriso sumiu, assim como  o dele, e ele chegou bem pertinho de mim, e eu senti nossos lábios se tocarem, só que, nessa hora, ouvi aplausos também. O empurrei na hora, abri os olhos e o intervalo de cinco minutos a cada duas aulas tinha acabado de começar. Vi mil rostos ali, mas, só um me deixou aflita; o do Felipe. Ele me olhou, fez uma cara de nojo e saiu andando. Depois ele voltou, veio andando na minha direção como se fosse me atropelar, e disse a única coisa no mundo que eu não esperava ouvir.
- Agora que você já ganhou sua aposta, pode ficar longe da Ma. Ela não é que nem a Selena ou o resto das gurias dessa escola. – E ele fez a única coisa que eu tinha imaginado, e depois do que ele disse, a única coisa que eu queria que ele fizesse, deu um soco na cara do Justin. Ele tentou revidar, foi com tudo pra cima do Felipe, mas, eu entrei na frente e ele parou.
- Aposta?
- Então quer dizer que você não sabia que era uma aposta Maria Alice? Você achou mesmo que o Justin olharia pra você? E mais do que isso, que ele te beijaria? – Era a Selena falando comigo? Fiquei na dúvida por que só vi uma cachorra latindo do meu lado.
- Ma, não é isso. – Disse o Justin procurando uma desculpa no meio do ar.
- Fala a verdade pra ela amor, que você só se aproximou por que ela tava bonitinha na sua festa, e os meninos duvidaram de que ela cairia na sua. – Latiu de novo o poste da escola.
- Cala a boca Selena. – Finalmente eu precisei concordar com o Justin. - É verdade?
- Ma, é que…
- É VERDADE?
- No começo era, mas, ai…
- Você tem exatamente tudo que você merece. – Ri seco e saí. Eu queria chorar, me descabelar, comer quilos e quilos de sorvete, me afogar em copos de qualquer bebida forte, dormir abraçada com ursinhos, comprar todos os chocolates do mundo e me deprimir assistindo “um amor pra recordar”, mas, não. Eu não sou assim. Eu assisti todas as outras aulas do lado do Fe, pedi desculpas pra ele, disse que ele tava certo, fizemos alguns deveres, até rimos de algumas besteiras. Fomos pra casa como sempre, e eu só ignorei, por que quando a gente esquece, não tem por que chorar, certo? O outro lado da minha tripolaridade tinha chegado, a glaciosidade. Eu costumo a ser fria como uma geleira, e não há nada que me faça derreter, só verdades, então, como o assunto era o Justin, eu ficaria gelada pra sempre. Cheguei em casa, tomei um banho, liguei pro Felipe, ele ficou lá comigo até eu dormir, minha mãe tava no trabalho, de noite ele me acordou pra gente comer, eu fiz um jantar fácil e me despedi. Sentei na minha cama, desisti de pensar nas coisas e fui escrever. Saiu uma música, fui tocar no telhado. Desliguei o celular por que o Justin não parava de ligar, sentei bem do lado da minha janela e comecei a dedilhar. A música falava sobre como as pessoas são egoístas, sei lá, sobre como elas não pensam nas consequências, mas, eu não tava ligando muito pra nada, só queria cantar pra fazer o tempo passar.
- Bonita música.
- Vai embora.
- Ma, você precisa me ouvir.
- Na verdade eu preciso dormir, com licença. – Entrei, o Justin não tinha bom senso, ir na minha casa foi a pior prova disso. Deitei e dormi, que nem uma pedra. Acordei mais cedo que o normal, me arrumei e liguei pro Pedro. Ele veio pra minha casa antes mesmo de 6 horas, então a gente pôde conversar.
- Eu te disse que você ainda ia quebrar a cara com ele Ma.
- Eu sei, mas, eu precisava ver acontecer.
- Eu sinto muito.
- Eu não, na verdade, não sinto nada.
- Já sei o que nós vamos fazer no final de semana pra você se sentir melhor!
- Eu to bem. – ele discordou com a cabeça.
- Vamos num lugar aonde você vai poder sair do chão e se desligar de todos os problemas.
- Você vai me levar pro céu?
- Quase isso. 

domingo, 5 de maio de 2013

Com você eu consigo voar - Cap. 17

Eu achei que não fosse dormir, mas, a prova evidente de que era só amizade era exatamente essa, tive a melhor noite de sono da minha vida. Dormi que nem uma criança, não tive sonhos, não acordei de noite, só deitei e acordei pela manhã, ou pelo menos eu achava que tava de manhã. Meu celular apitou um barulho de mensagem, eu normalmente não olharia, mas, pela primeira vez fiquei curiosa mesmo que ainda sonolenta. Era do Justin, e ele pediu pra eu olhar pela janela, por mais que parecesse ridículo, eu olhei. Ele tava lá em baixo treinando algum discurso sobre coisas que ele não gostava, pelo menos isso eu pude ouvir. Abri a janela, sentei na beirada, coloquei os pés no telhado e me apoiei na sacada. Ele tava com um papel na mão e tinha umas flores também.
- Essas flores são pra mim?
- É, ah, amm, não. Claro que não, eu só achei elas aqui no chão e resolvi pegar, mas, já vou devolver. – E ele as jogou pra trás num ato de “sumam”.
- Entendi, e são 4 horas da manhã, posso saber a que devo a ilustre presença? Por que amanhã é domingo, o último dia do feriado, e qualquer pessoa normal estaria dormindo.
- Na verdade, hoje já é domingo, o último dia do feriado, e por pura sorte, é o dia que acontece alguma coisa com os planetas, eu ouvi no jornal, mas, não entendi. E essa coisa super legal vai nos proporcionar o nascer do sol mais bonito que você já pode ter visto, então, vamos?
- Eu to de pijama, meu cabelo ta parecendo uma juba, eu não vou descer, e mesmo se eu fosse descer, não ficaria pronta em menos de 30 minutos.
- Ma, tu já olhou pra minha roupa? – Ele também tava de pijama. – É pra ser engraçado, por favor, vem logo.
- Só por que tu pediu por favor. – Desci bem rapidinho, de pantufa mesmo, por que pra quem já ta molhado um pingo é besteira.
- Esse papel é pra você, é uma lista de tudo que eu gosto e que eu não gosto.
- E pra que me serve isso?
- Pra você nunca me dar um queijo por exemplo.
- Ah, poxa Justin, to muito frustrada, comprei um queijo ontem pra você! – Ri até a vizinhança reclamar.
- Sempre tão cômica.
- Desculpa se eu ainda consigo ter bom humor de manhã.
- Ainda ta de noite, só fica de manhã depois que o sol chega.
- Desculpa garota do tempo, eu não queria ferir seus conhecimentos.
- Não estraga o momento ta Ma?
- Ele me colocou no carro e saiu dirigindo que nem um louco, extremamente rápido, eu quase não conseguia ver a paisagem, só vultos. Pedi umas mil vezes pra ele ir com mais calma, mas, ele só ria e acelerava. Tudo bem, se eu morresse minha mãe ia matar ele, já seria uma ótima vingança. Pela quantidade de vultos verdes a gente devia estar na Amazônia, mas, não questionei. Ele foi desacelerando, até que a gente tava em cima de uma espécie de morro enorme, que nos proporcionava a melhor visão do céu que poderia haver no mundo.
- Bem vinda a minha terceira casa. Eu geralmente venho aqui pra escrever mús… Quer dizer, escrever coisas, pensar, e ver o sol nascer.
- É lindo, lindo pra caralho. – Ele voltou no carro, pegou um edredom, uma garrafa térmica, duas xícaras grandes e um cobertor fininho. Com o edredom ele forrou o chão, daí nós sentamos em cima, ele meio que cobriu nós dois com a cobertinha de criança dele e colocou um café bem quentinho na minha xícara de borboleta. Eu não gostava de café, mas, confesso que aquele era bom, não sei por que, mas, era.
- Três, dois, um e voilá. – O céu começou a mudar de cor, com uma mistura de roxo,  vermelho, laranja e amarelo. Juro que pude ver uns tons de verde também. Depois ficou rosa com um laranja enferrujado, daí pude ouvir um barulhinho tipo de panela quente na água, e quando eu menos esperei, o sol tava chegando. Eu olhei pro Justin e ele tava hipnotizado, não piscava, não se mexia e posso afirmar que nem pensava. Ele só ria, olhava pro sol e ria pro nada. Aquela luz o favoreceu, preciso dizer, ele nunca foi tão bonito. Enquanto eu o elogiava em pensamentos e o olhava ignorando totalmente a presença do sol, ele me olhou, se virou pra mim, comentou sobre o fato da minha boca estar roxa devido ao frio, pegou meu rosto em suas mãos como se eu fosse de pelúcia, deu um beijo na pontinha do meu nariz, e disse que eu fico linda a luz do sol. Eu não tava apaixonada, afinal de contas, amigos também assistem o sol nascer juntos, e riem juntos, e ficam juntos. Não tinha o menor problema, e eu acho que repeti isso por uns cinco minutos até que eu mesma pudesse acreditar. Ele ficou me olhando, rindo e me olhando.
- É, de fato, a coisa mais linda que eu já vi. – E eu juro que queria estar falando do sol, com todo o meu coração, eu juro que queria.
- Concordo, plenamente. – Ele comentou sem tirar os olhos dos meus. – Amigos, ele riu e repetiu.
- Sem dúvidas, amigos. – Apoiei a cabeça no ombro dele e quando eu vi, já estávamos deitados e rindo, contando piadas, fazendo cócegas, perturbando um ao outro e a melhor parte de tudo, felizes de estarmos ali. Por que, pelo menos eu não queria estar em nenhum outro lugar do mundo, e minha cabeça podia me condenar por isso, ela estaria certa, mas, eu simplesmente não queria.
- “So then I took my turn, oh what a thing to’ve done, and it was all yellow” – Eu tava mesmo de olhos fechados, mas, eu não tava dormindo, e ele tava cantando yellow, e tava cantando meio que sussurrando, com a voz mais linda do mundo, e tava penteando os meus cabelos com e dedo, e tudo isso enquanto eu reclamava pra mim mesma do quão injusto isso era, por que, eu sabia que ele não era daquele jeito. Eu sabia que ele não era daquele jeito nem de longe, no escuro e olhando com os olhos semicerrados. Mas, nós éramos amigos, eu mentalizei isso até acordar com a respiração dele no meu ouvido, então eu me virei e ele tinha dormido, e assim que ele sentiu que eu me mexi, ele riu, me abraçou, mesmo que sem explicação, me encaixou direitinho entre ele, me embolou naquela coberta, e a gente só esperou o céu atingir sua cor uniforme. Ele colocou tudo de volta no carro, e a gente voltou pra casa rindo e conversando, quando eu cheguei minha mãe nem tinha acordado, e então a gente ficou no sofá assistindo desenho animado. Pensei em comentar sobre a música, mas, ele não se sente muito confortável sobre isso e eu tinha que respeitar, por mais que ele cantasse bem pra caralho.
- Preciso pintar a unha. – refleti alto de mais.
- E eu preciso fazer a barba. – ele riu.
- Deixa eu fazer pra você? Por favor, eu sou mestre nisso.
- Não, só namoradas fazem a barba, isso é o que meu pai diz, por que, a minha barba, só quem faz sou eu.
- Eu não queria mesmo, tomara que você corte a cara toda.
- Nossa, te desejo a mesma sorte com sua unha. – E então em três segundos nós já estávamos nos empurrando e implicando um com o outro. Minha mãe acordou e fez umas panquecas pra gente, o Justin passou o resto do dia lá, decidimos que ele faria minha unha e eu a barba dele, mas, que isso ficaria em segredo pra sempre, e foi bem divertido ver a cara de desespero dele quando eu segurei o barbeador. Umas 19 horas a campainha tocou, eu não estava esperando ninguém, então, pedi pro Justin abrir enquanto eu ia guardar os esmaltes que ele deixou espalhado. Meu desespero começou quando ouvi o Justin falando um “e ai” seco e minha mãe falando um “oi Felipe”. PUTA QUE PARIU, O FELIPE TINHA CHEGADO DE VIAGEM, VEIO NA MINHA CASA E O JUSTIN TINHA ABERTO A PORTA, E POR ACASO, ELE NÃO ERA MAIS O QUERIDINHO DA MINHA MÃE, CLARO QUE IA SOBRAR PRA ESCOLHIDA AQUI. Ele não podia ficar bravo comigo né? Desci o mais rápido que eu pude e tentei ser o mais legal possível pra contornar a situação.
- Felipe! – Corri na direção dele e o abracei, ele até estranhou, mas, ele ia achar mais estranho ainda quando eu dissesse que o Justin era meu amigo agora.
- É, você tem alguma coisa pra me falar?
- Tenho, muitas, mas, tenho certeza que você tem mais, então, como foi o acampamento?
- To indo nessa, se cuida Ma, e, foi um prazer revê-lo, Felipe. – Justin falou do jeito mais filho da puta que ele podia ter conseguido e foi embora, e quando eu olhei pra ele, com aquela cara de “que que eu faço?” vi uma luz, tipo de celular, e uns segundos depois, recebi uma mensagem que dizia babacamente “Agora que seu namorado chegou, tu não precisa mais de mim, boa sorte ai, e desculpa se eu causei alguma briguinha, afinal de contas, hoje é domingo, vou ter que explicar pra Selena por que não atendi ela o dia todo. Com certeza nós dois precisamos nos explicar. Tchau Ma.” O que? Ele também tava bravinho? Agora eu ia ter que lidar com duas caras de cu? Qual o problema desses garotos? E enquanto eu tava xingando e me rebelando contra o sexo masculino, fui interrompida com a única pergunta que eu não queria responder.
- O que esse cara tava fazendo aqui?
- Ah, a gente se encontrou no feriado, em um restaurante, ai, meio que, é, ficamos amigos.
- Sempre soube que era verdade.
- O que?
- Que quando os gatos saem os ratos fazem a festa. – Ele riu, mas, tava bravo ainda.
- Ele não é o que parece, e é uma merda ter que admitir isso, mas, ele pode ser bem legal.
- Ma, é o Justin, ele nunca vai ser legal.
- Mas, eu juro que ele é.
- Tudo bem, não vou discutir, você vai ver. – Eu queria dar um soco no Felipe e pedir pra ele ir embora, de verdade, não gostei do jeito que ele falou do Justin. Ele não conhecia ele, ele nem ao menos sabia a história dele, mas, tudo bem, semanas atrás a preconceituosa era eu. O Felipe entrou, jantou com a gente, depois fui na casa dele dar um alô pros pais dele e finalmente voltei pra casa, pro meu quarto. Eu queria ligar pro Justin explicar as coisas, mas, não tinha nada pra explicar. E também queria ligar pro Felipe e concertar tudo, mas, não tinha nada quebrado pra ser concertado. Era só eu, mais uma vez, confusa e sem saber o que fazer. Eu tomei um banho gelado e fui dormir, pelo visto, tudo que é bom dura pouco.

Com você eu consigo voar - Cap. 16

O Justin foi pra casa dele e eu pro banheiro da minha mãe, por que lá tinha uma banheira e eu precisava relaxar o suficiente pra não ter um colapso nervoso. O Justin não me deixa nervosa, mas, o melhor jeito de não se ferrar é ter tudo sobre controle, e ele é tão imprevisível que a única coisa que me diz é o que vestir… Que tipo de menino te deixa aflita desse jeito? E nessa hora o meu subconsciente grita: “PORRA MARIA ALICE, A GENTE COMBINOU QUE TU NÃO IA GOSTAR DELE, QUER ME FODER ME BEIJA”. Mas, eu não gosto dele, quem disse que eu gosto? To determinada, só vamos ser amigos, amigos também saem à noite. Coloquei aquelas coisas cheirosinhas na banheira, esperei ela ficar bem cheia e com espumas e entrei, juro que quase liguei pro Justin desmarcando nossa saída, por que, na boa, aquele era o melhor lugar do mundo. Depois de quase uma hora criando coragem pra sair do banho, me enrolei num roupão, prendi uma toalha no meu cabelo e fui decidir o que vestir. Coloquei um vestido bege que era um pouco rodado na saia, acrescentei um cinto de ferro dourado, uma sapatilha no estilo do vestido, um casaquinho, peguei uma bolsa de mão, fiz uma maquiagem bem rápida por que eu não tenho saco pra essas coisinhas e, tcharan, eu tava pronta. Minha mãe ainda não tinha chegado, deixei um bilhete na geladeira avisando que tinha saído com o Justin e que qualquer coisa ela podia me ligar. Assim que eu acabei o bilhete a campainha tocou, era ele, e foi bonitinho olhar pelo olho mágico e o ver treinando um sorriso.
- To interrompendo alguma coisa?
- É, oi Ma. Achei que tu fosse demorar um pouco pra abrir a porta, mas, isso não vem ao caso. Você ta bonitinha.
- Bonitinha? 110%, isso não é coisa que se fale.
- Você ta linda! – Ele riu, mas, sem querer me gabar, tinha sinceridade na voz dele.
- Aonde vamos?
- Surpresa, eu já disse. – Entramos no carro, ele tava ouvindo Oasis, deixei, era uma boa música. Ele dirigiu até o centro da cidade e parou numa praça em frente a um hospital, não entendi.
- Aqui foi onde eu nasci, e algum tempo depois, onde minha mãe morreu. Aquele restaurante ali, virando a esquina, foi o primeiro lugar que eu me lembro de ter jantado com ela. Foi num aniversário, e ela tava bem feliz. E aquela galeria de frente pro restaurante, é dela, mas, ta fechada a uns anos, e lá dentro tem os quadros favoritos dela, e um deles nós dois pintamos juntos, por isso não gosto de desenhar. E nessa praça, meu pai pediu minha mãe em casamento, assim que ela saiu do hospital e descobriu que tava grávida de mim. Pronta para o próximo lugar? – Queria fazer um comentário de tudo aquilo que eu tinha acabado de ver e ouvir, mas, guardei, ainda tinham dois lugares.
- Pronta. – Entramos no carro e fomos até uma casinha, simples, mas, linda. Era pequena, com um quintal imenso e uma árvore gigante, que tinha aquelas casinhas de criança.
- Eu morava aqui. Quando meus pais se casaram eles não tinham muito dinheiro, os pais da minha mãe não gostavam muito do meu pai, então, os dois venderam tudo que tinham e compraram esse espaço, com muita vontade eles construíram essa casa, eles mesmo. E, essa árvore, é a árvore da qual eu te falei. Com o passar do tempo meu pai começou a trabalhar e hoje em dia ele é o dono da empresa que ele trabalhava de motorista, o que o deixa totalmente sem tempo pra nada, inclusive família. Essa é a história de onde eu cresci, e, agora vou te levar no meu lugar favorito, que é aonde eu mais vou agora que já sou grande. – Ele falou rindo e ironicamente.
- Você não é grande. – Brinquei.
- Você não pode dizer isso ainda. – sarcasmo e humor negro, suas especialidades.
- Ah, com certeza eu posso.
- Então acho que já posso te surpreender. – Ele gargalhou.
- Ou pode tentar né.
- Próximo e último lugar? – Assenti com a cabeça e fui em direção ao carro. Nós estávamos meio que voltando pra casa, se eu não me engano era o mesmo caminho que fizemos na ida. Paramos em frente aquele bar, pub ou sei lá o que aquilo era. Tava vazio, devia ter umas oito pessoas, mas, era o melhor ambiente em que eu já havia ido.
- Que lugar mais aconchegante, sério, parece que eu to no meu quarto.
- Mas esse já é o MEU lugar favorito.
- Se eu posso dividir minha mãe, você pode dividir seu lugar, certo?
- Você ainda vai ter que me convencer 100% de que merece ele. – Ele riu por uns minutos e então escolheu uma mesa pra gente sentar.
- Então agora o jogo ta virando?
- Digamos que eu esteja por cima.
- Você sabe que não vai durar muito tempo então, né? – rimos.
- Você bebe?
- Não.
- Oi, dois sucos de laranja.
- Vai cantar hoje? – O garçom perguntou, e ele olhou com uma cara de desespero tipo “finge-que-não-foi-comigo-e-vaza-cara”
- Não, só os sucos mesmo.
- E desde quando você não quer whisky?
- Com gelo e açúcar ta? – Ele olhou com uma cara de quem ia fazer o cara engolir uma cadeira se ele não parasse de falar e saísse dali.
- Você canta?
- Esse cara é louco, sério, nem conheço ele. – Então a gente riu, conversou, e, pelo menos uma vez na vida, não brigamos.
- Os dois sucos.
- Valeu Dudu.
- Então você não conhece ele? – perguntei do jeito mais irônico e engraçado.
- Ta bom esse suco né? – a gente, riu, tudo bem, ele não queria falar daquilo.
- Ta maravilhoso, obrigada.
- Pelo que? É só um suco.
- Não, por isso, sabe? Você ta sendo legal comigo, me falando coisas que eu sei que não são fáceis pra ti, tentando me convencer de que você não é algo que eu julgo ser, perdendo seus dias entrando nas minhas confusões, aguentando minhas grosserias… Obrigada.
- Se isso foi uma bandeira branca, ok, minha vez. Obrigada também, por me deixar conhecer uma Maria Alice que pode suportar um Justin, vou tentar não te traumatizar.
- Amigos. – Estendi a mão.
- Amigos. – Ele a apertou.
- Só não me decepciona ta?
- Só não me decepciona você, ta?
- Combinado. – apertamos as mãos de novo.
Foi uma noite cheia, mas, reveladora. Eu me surpreendi, não comentei, mas, foi a melhor surpresa que eu podia ter. Nos fundos do bar tinha um jogo de dardos, e nós competimos a noite toda, por que sem uma rixa entre Ma e Justin eles não existem né? Sem intenção olhei no relógio e CARALHO SÃO DUAS HORAS DA MANHÃ!
- Justin, são duas horas, acho melhor a gente ir.
- Sua mãe ligou?
- Não, e ela não fez isso por que sabe que eu to com você, e minha mãe é uma tramadora de planinhos. – ri.
- E ta dando certo?
- O que?
- O plano dela? – Fiquei vermelha, senti minha cara pegando fogo, eu tentei falar, umas cinco vezes, mas, minha voz tava perdida em algum lugar da minha garganta, então abaixei a cabeça meio que rindo e sem saber o que fazer. Ele me puxou pela mão, me levou até o lado de fora, e do lado do bar tinha tipo um laguinho com uma ponte, ele me levou até lá, sem dizer nenhuma palavra. A gente observou as estrelas por um minuto, ele não soltou minha mão, e lá fora tava frio pra caramba, o que me fez estremecer. Ele tava sem casaco, então, me abraçou. Não recuei, o cheiro dele me prendeu. Ele segurou meu queixo e me deu um beijo. Eu queria bater, empurrar, jogar ele daquela ponte, mas, por impulso, segurei o rosto dele e não consegui o mover dali. Ele riu, o que me fez rir também, então ele beijou minha bochecha e, sem me soltar, olhou pro céu.
- Ta vendo aquela estrela? A que mais brilha?
- Tô.
- É a minha mãe, e eu aposto que você também acha que é o seu avô, então, posso garantir que são os dois juntos, olhando pra gente.
- Dessa vez preciso concordar, você ta completamente certo. – Aleluia eu tinha conseguido falar alguma coisa.
- Ma, eu não quero que isso atrapalhe nossa amizade ta? Se tu tiver ficado brava, desculpa.
- Foi só um beijo, calma, só paixão estraga amizades, e você ia ter que passar o resto da sua vida me beijando pra eu, talvez um dia, me apaixonar. – Rimos e nos empurramos, mas, depois voltamos a mesma posição.
- É bom ter você por perto.
- Não é tão ruim te ter também, até por que ta frio pra caralho.
- Vou aceitar como um elogio.
- E aproveita, por que eu não faço muitos. – Rimos mais, implicamos um com o outro, contamos coisas um pro outro, falamos sobre passado, presente e futuro. Combinamos de que aquela noite tinha sido incrível e que um beijo não estragaria uma semana, até fizemos piadas, e isso tirou um peso enorme das minhas costas. Ele me levou em casa, me deixou na porta, me deu um beijo na testa, então alguns segundos depois minha mãe abriu a porta, deu um oi pra ele e ele sussurrou no meu ouvido “conta pra ela que o plano funcionou” e eu dei um soco no braço dele, ele foi embora rindo, e eu preciso confessar, fui dormir do mesmo jeito.

sábado, 4 de maio de 2013

Com você eu consigo voar- Cap. 15

Depois do lanche ele e minha mãe ficaram conversando sobre mil e um assuntos e, por mais que eu tenha implicado e reclamado, foi bom que eles tenham dado certo. Minha mãe conversou com ele sobre a mãe dele também, e quando eu mais achei que fosse ser embaraçoso, foi essencial. Ele ficou fazendo elogios, minha mãe colocou a torta num potinho e ele foi todo feliz. Me deu um beijo na testa, tá que ele era alto, mas, foi estranho. O dia tinha sido um tanto quanto agradável, eu preciso admitir. Ele e o Felipe são opostos, mas, é possível gostar do frio e do calor ao mesmo tempo, certo?
- Ele parece ser um cara legal Ma e, agora falando sério, ele é bem bonitinho.
- Não mãe, sem chances, se um dia a gente vier a ser alguma coisa, essa coisa vai se chamar “amigos”.
- Ta certo! Não vou insistir né? Afinal de contas, eu só tenho mais que o dobro da sua idade, não vivi nada ainda. – Ela riu.
- Mas, é sério mãe, eu to nessa cidade a pouco tempo, por enquanto, eu só quero amigos. Mas, obrigada por ter falado com ele hoje, isso me deixou preocupada mais cedo.
- Ele é meio fechado, mas, ao mesmo tempo, um livro aberto.
- O nome disso é Justin, todos são assim.
- Ainda achando que personalidades são vinculadas a nomes?
- A nomes não, mas, quando se trata de um Justin, pode ter certeza, não muda.
- Você ainda vai se surpreender, se é que você vai mesmo casar com um.
- Me surpreender é o único jeito de eu casar com um! – Rimos, conversamos mais, implicamos uma com a outra, comemos, tomamos banho, vimos filme e dormimos. Minha mãe podia ter todos os defeitos do mundo, mas, ainda era minha melhor amiga. Nada no mundo é perfeito, então tive que acordar com o telefone tocando.
- Oi.
- Bom dia Boa, quer dizer, princesa, quer dizer, Ma HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- É engano, tchau. – Desliguei, porém, insistência passou a ser um defeito 9 horas da manhã num dia sem aula.
- Você desligou na minha cara?
- Não, eu disse tchau.
- Bom dia pra você também, vem aqui na frente, eu trouxe sua vasilha.
- Traz depois das 14hs, tchau.
- Eu já to aqui na frente, vem logo Ma!
- Ai, que saco você, me acorda e ainda me explora, espera. – Calcei a primeira coisa que tinha na minha frente, escovei os dentes ainda de olho fechado e fui, que saco!
- Você fica tão linda de camisola e pantufa… – PUTA MERDA, QUAL ERA O MEU PROBLEMA DE PENSAR DE MANHÃ? Fiquei em choque por dentro, mas, tentei ser tranquila por fora.
- Você me acorda, me faz vir aqui em baixo, me obriga a te ver de manhã e ainda espera que eu esteja linda?
- Eu não disse que você ta feia – ele riu. Arrumou meu cabelo e isso parecia uma mania, tirou o casaco dele e me deu, por que minha roupa realmente não era apropriada ao clima, e me devolveu a vasilha, só que cheia.
- Ué, não comeu a torta?
- É que não é educado devolver uma vasilha que tu pegou cheia vazia.
- Então tu decidiu ser educado?
- Pois é, gosto de ter metas, e agora preciso vencer os 60%
- Agora tu só precisa de 50%, deixando claro que é por que o bolo aqui é de chocolate, e ta muito bom, tu que fez?
- Também não é pra tanto né? – ele riu meio sem graça – Mas, foi eu que mandei comprar, serve?
- Quase! –rimos.
- Cadê nossa mãe?
- A MINHA mãe saiu hoje cedo, por que?
- Só queria dar um beijo nela, e agradecer.
- Com ela tu não precisa vencer nenhuma porcentagem viu? Ela já gosta de ti de graça.
- Todos gostam!
- Acho que não em…
- Claro, você é do contra.
- Se você prefere pensar assim… – soltei um sorriso e me virei pra ir pra casa, ele veio atrás, tudo bem, a parte de que até a companhia dele me irritava eu já tinha superado.
- Quer sair hoje à noite?
- Pra onde?
- Quero te levar em três lugares, mas, são próximos uns dos outros, então, não vou precisar de tanto tempo pra recuperar o fôlego – ele riu da própria piada.
- Posso saber que lugares?
- É surpresa, mas, acho que você vai gostar. Você precisa me conhecer pra ter algum motivo pra não gostar de mim, só faltam três dias pro feriado acabar, então, hoje vamos fazer um tour.
- Combinado, mas, o seu lado “garota do tempo” pode me dizer o que vai acontecer pra eu escolher uma roupa?
- Vai chover a tarde toda, mas, de noite o céu vai estar estrelado.
- Muito obrigada! – Falei com ironia. Terminei de comer o bolo, ele disse que tava com fome, daí fiz uma comida bem simples e rápida pra gente comer, eu ainda queria assistir um filme antes de sair, por que, de fato, o feriado tava acabando.
- Isso ta bom pra caralho!
- Sério?
- Mas não se gabe, aposto que foi sua mãe que te ensinou.
- Foi mesmo – rimos um riso gostoso de ouvir e, pela primeira vez, me senti em casa.
- A gente pode assistir um filme antes de se arrumar pra sair?
- Depende do filme.
- Barbie quebra nozes, por favor!
- Sério?
- Claro que não HAHAHAHAHAHAHA
- Opa, tu ta engraçadona hoje né?
- Aprendi com o melhor!
- Ai que linda você, agora pode colocar um filme pelo qual eu me apaixone nos primeiros três minutos, se não, a gente vai ver futebol. – coloquei “a fera”, ele percebeu a indireta do filme, mas, fez piada de tudo, e assistiu até o final, o que me surpreendeu.
- Gostei do filme, mas, se era pra eu me encaixar, desculpa, sou muito mais lindo que esse cara.
- Tu é tão iludido como ele.
- Mas, no final, a garota se apaixona.
- Verdade, aquela sua namorada que parece um poste pode se apaixonar por você, olha que legal.
- A Selena? Não, ela é só o meu domingo à noite.
- Como assim?
- Aquilo que a gente quer quando não tem nada pra fazer.
- Hm, interessante seu jeito, acabou de passar pra 60% de novo.
- To sendo verdadeiro, eu deveria estar com 30%
- Você tem três lugares pra me levar hoje, 20% pra cada um deles, me surpreenda.
- Eu vou, pode ter certeza.
- Só que é meio difícil me surpreender, assim, sem querer ser chata.
- “Sem querer ser chata”… Como se você conseguisse.
- Setenta porc…
- Ta, desculpa, retiro o que eu disse.
- Que lindinho, to gostando de ver!
- Vai tomar no cu.
- Eu não, que nojo. Falar em tomar, vou tomar um banho, por que eu posso ser diferente das outras meninas, mas, no quesito me arrumar, sou igual a todas elas.
- Quer ajuda?
- Calça, saia ou vestido?
- Vestido, mas, leva casaco.
- Mais alguma recomendação senhor Justin?
- Seja boazinha!
- Eu sempre sou.
- Sempre é má.
- Seja menos Justin e eu serei menos Maria Alice ok?
- É um péssimo acordo pra quem quer recomeçar. Seja completamente você, e eu vou fazer da mesma forma. Ou você vai embora nos primeiro minutos, ou vamos ter uma boa noite. – Assenti com a cabeça, não disse nada, mas, no fundo, desejei que fosse ser uma boa noite